O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta edição, republicamos a matéria de outubro de 2005: “Cidade produz poucos produtos alimentícios industrializados”, quando foi constatado que Itapetininga era “invadida” por mercadorias industrializadas de outros municípios da região, que poderiam ter sido produzidas na própria cidade.
Cidade produz poucos produtos alimentícios industrializados
Orestes Carossi Filho
Itapetininga é “invadida” por produtos de baixa industrialização, ou seja, mercadorias, na maioria alimentícias, que passaram por um peque no processo de transformação, que poderiam ser feitas na própria cidade. O consumidor itapetiningano pode comprar um delicioso doce de leite produzido em Avaré, de Iracemápolis ou ainda da distante cidade mineira chamada Veríssimo. Mesmo com um grande rebanho de gado, a cidade “importa” requeijão, manteiga, queijo prato de Buri, da paranaense Dom Armando e de Campina do Monte Alegre e, ainda, o iogurte oriundo de Cesário Lange e Votuporanga.
Com a ausência destas fábricas, empregos e renda não são gerados na cidade. Em uma pesquisa realizada em cinco supermercados, a reportagem encontrou ainda doces em calda da cidade paulista de Gália, massa para pastel, lasanha e ravioli provenientes de Bauru, o salgadinho de milho, importado de Curitiba, o biscoito produzido em Sorocaba e pizza congelada de Itararé e como último exemplo vem – de São Paulo e da vizinha Tatuí – o suspiro.
O mercado para a venda está ao alcance de micro e pequenos empresários que poderiam atender supermercados e pequenos comércios da cidade. Na limpeza, também persiste a dependência, da importação de artigos que suprem o mercado local como águas sanitárias, sabonetes, sabão em pedras, amaciantes, vassouras e rodos.
Os produtos apontados pela reportagem não necessitam de transformação pesada. Para o economista Fuad Isaac, o tema deve ser tratado como desenvolvimento econômico da cidade para incentivar o surgimento deste nicho de mercado na cidade. “É um mercado que ainda está aberto e muitos empresários deveriam aproveitar”, frisa. Isaac aponta que a cidade aumentaria a arrecadação de impostos e uma participação maior no repasse do ICMS com estas empresas.
Presença local
Algumas empresas já ocupam o espaço nas prateleiras dos supermercados da cidade. Um exemplo é a Natural Cook que produz com qualidade o nhoque semipronto. O sucesso do produto permitiu que fornecesse no mercado local a batata palha e batata frita natural. Quem ocupa há mais de trinta anos este mercado é o Café Santo André. A empresa está ampliando sua linha, agora com achocolatado. O leite Colaso é uma das empresas que atua no setor alimentício. A Pipoca & Companhia embala e empacota feijão, alpiste, painço, canjica, pipoca, feijão branco, polvilho, farinha de mandioca e sagu, e os ovos da itapetiningana Big Ovos.
A linguiça Suinoi é uma das qualidades e oferece produtos na cidade e tem capacidade até de exportar. O refrigerante Taita é da cidade e disputa o mercado com as grandes marcas. Os vários tipos de queijos produzidos na Fazenda Santa Luzia também é um exemplo que a manipulação de leite pode agregar valor ao produto. Os pães de forma da Farinila e o chocolate dos Alpes também geram emprego e atender o mercado interno e de cidades vizinhas. A farinha de milho é embalada na cidade pela Fecularia Simonel. O macarrão Premiata é uma empresa de grande porte que gera mais de cem empregos e é uma das marcas mais fortes nesta área.
Avaliação técnica
Para o economista formado pela PUC-SP, Fuad Isaac, seria necessário abrir espaço na cidade para a formação destas indústrias de pequeno porte, com incentivo fiscal e assessoria técnica. Uma das formas seria através de incubadoras, em parceria com o poder público. Isaac avalia que é a melhor opção para agregar valor aos produtos produzidos na cidade e na região. Ele cita a cidade de Jundiaí que, apesar de estar próxima a São Paulo, tem uma industrialização que foi iniciada com fábricas alimentícias. Além do aspecto de criar empregos, a cidade teria mais dinheiro circulando, já que na importação de produtos, a cidade transfere o pouco do dinheiro para outras cidades.
Para o economista, a principal falha no setor alimentício é que a pessoa que possui capacidade técnica de produzir doces e bolos não pensa em vender para empresas e sim para o consumidor final. “Eles preferem vender para amigos, parentes e vizinhos. Não enxergam que poderiam atender o mercado com um único produto, como uma bala, trufa ou doce de leite. A bala Juquinha, por exemplo, nasceu nos fundos de um quintal e hoje domina o mercado nacional”, compara.
Ele destaca o sucesso do “nhoque” produzido pela Natural Cook. O empresário produz e repassa para o supermercado e mercearias. Hoje ele atende toda a cidade de Itapetininga. “Se ele pensasse em atender somente aos amigos e vizinhos, não teria crescido e se tornado uma referência. O pequeno empresário precisa distribuir o produto, não abrir uma lojinha para atender o consumidor. Com isso, ele se preocupa melhor com o seu produto, com qualidade e como crescer. E tem que vender no atacadão, não no varejo”, resume.

















