A Tagui Brasil Cereais Ltda., empresa que atua no comércio atacadista de cereais em Itapetininga, entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça. De acordo com os documentos do processo, obtidos pelo Correio, a dívida declarada pela empresa ultrapassada R$ 217 milhões.
O pedido foi enviado à Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem do Foro Especializado da 4ª e da 10ª Regiões Administrativas Judiciárias, com sede em Campinas.
De acordo com a petição, o Grupo Tagui iniciou suas atividades em 2015 e atua na originação, armazenagem, logística, comercialização e exportação de grãos como soja, milho e trigo. A estrutura operacional está concentrada em Itapetininga, onde mantém unidade com capacidade de armazenagem de aproximadamente 20 mil toneladas.
A documentação apresentada à Justiça inclui a relação consolidada de credores.
Entre os credores trabalhistas, constam ex-funcionários com valores individuais que variam de cerca de R$ 2,5 mil a R$ 24 mil.
Já entre as instituições financeiras, os três maiores credores, em ordem decrescente de valor, são:
• Banco do Brasil, considerando operações no Brasil e no exterior, com aproximadamente R$ 134,3 milhões;
• Banco Safra, com cerca de R$ 23,05 milhões;
• Banco Santander (Luxemburgo), com aproximadamente R$ 18,73 milhões.
Também constam na lista de credores Bradesco, Caixa Econômica Federal e Citibank, além de fornecedores e outras empresas.
Faturamento e crise financeira
Nos documentos, a empresa afirma que a crise econômico-financeira decorre de uma combinação de fatores externos, como a estiagem severa registrada em 2024, a queda nos preços internacionais das commodities agrícolas (especialmente soja e milho), o aumento da taxa básica de juros (Selic), a restrição ao crédito e a redução no volume de comercialização nos últimos anos.
Os demonstrativos anexados apontam que, após atingir R$ 1,248 bilhão em 2023, o faturamento recuou e foi registrado em R$ 496,2 milhões no exercício de 2025. O endividamento total informado no processo é de R$ 214 milhões no último exercício apresentado.
A empresa afirma nos documentos que pretende apresentar plano de recuperação judicial no prazo legal, com propostas de renegociação de prazos e condições de pagamento aos credores, possível alienação de ativos e reestruturação financeira para recomposição do capital de giro.
O Correio entrou em contato com a Tagui para solicitar um posicionamento sobre o pedido de recuperação judicial. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.
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