Itapetininga aparece como a 2ª cidade com maior taxa de estupros do Estado de São Paulo entre os municípios com mais de 100 mil habitantes. O levantamento foi realizado pelo Jornal Correio, com base em dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), referentes ao primeiro trimestre deste ano.
Para permitir a comparação entre cidades de diferentes portes, foi utilizada a taxa de casos por 100 mil habitantes, indicador que relaciona o número de ocorrências ao tamanho da população. As estimativas populacionais consideradas são do IBGE (2025). Segundo a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Beatriz Schroeder, esse tipo de análise proporcional é o mais adequado para comparar diferentes municípios, já que os números absolutos tendem a ser maiores em cidades mais populosas e podem distorcer a interpretação dos dados.
De acordo com o levantamento, Itapetininga registrou 29 casos entre janeiro e março, o que representa uma taxa de 17,6 estupros por 100 mil habitantes. O índice coloca a cidade atrás apenas de Itanhaém (19,4).
Mesmo com população inferior a grandes centros, Itapetininga apresenta índice superior ao de diversos municípios maiores, como:
- São Paulo (7,0 por 100 mil);
- Campinas (7,4);
- Sorocaba (8,0).
A taxa da cidade é mais do que o dobro da registrada na capital paulista.
Confira o ranking das 10 cidades com maior taxa de estupros no 1º trimestre deste ano entre municípios com mais de 100 mil habitantes:

No mesmo período do ano passado, Itapetininga havia contabilizado 17 casos. Ao longo de todo o ano anterior, foram 86 ocorrências.
Casos acendem alerta
Além dos números oficiais, dois casos registrados em abril, ainda fora das estatísticas consolidadas, chamaram a atenção dos moradores da cidade.
Em um deles, um homem foi preso em flagrante por suspeita de estupro, sequestro, cárcere privado, tortura, tentativa de feminicídio e lesão corporal. A vítima relatou que foi mutilada, torturada e tatuada à força pelo suspeito.
Em outro caso, uma adolescente de 15 anos foi estuprada enquanto seguia para a escola, no distrito do Tupy. A jovem seguia por uma passarela quando foi abordada por um homem, que a levou até uma área próxima, onde foi estuprada.
Crescimento pode ter múltiplas causas
Para a pesquisadora Beatriz Schroeder, o aumento nos registros deve ser analisado com cautela. Segundo ela, o crescimento pode refletir tanto um aumento real da violência quanto uma maior capacidade de denúncia. “Quando há mais confiança nas instituições, campanhas de orientação e serviços especializados, situações antes invisíveis passam a aparecer nas estatísticas. Ao mesmo tempo, não é possível afirmar que o aumento de registros seja unicamente relacionado a maior notificação, podendo também refletir um aumento real da violência.”, explica.
A pesquisadora também destaca a importância de analisar os dados proporcionalmente. “A taxa por 100 mil habitantes pode revelar municípios médios com níveis mais elevados de violência em relação à população”.
Schroeder aponta que municípios do interior têm obstáculos específicos, como menor acesso a serviços especializados, dificuldades para denúncia e relações mais próximas entre vítima e agressor, o que pode dificultar o rompimento do silêncio. “Na maior parte dos casos, a violência ocorre dentro do ambiente familiar ou entre pessoas conhecidas, o que torna o enfrentamento mais complexo”, afirma.
Nesse contexto, a pesquisadora destaca que o combate à violência sexual depende de uma rede estruturada e integrada de atendimento. Segundo ela, o acolhimento não pode ficar restrito a um único serviço. “Uma rede adequada precisa garantir que a vítima encontre apoio em qualquer porta de entrada, seja na saúde, assistência social, escola ou polícia”.
O que dizem os órgãos públicos
Em nota, a Prefeitura informou que mantém ações voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Entre as iniciativas estão a criação da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, a implantação da Casa da Mulher Paulista, o atendimento especializado pelo Creas Mulher e campanhas educativas em escolas. A Prefeitura apontou o reforço da Guarda Civil Municipal (GCM), com aumento de efetivo, viaturas e atuação integrada com outras forças de segurança.
Já a SSP destacou a ampliação da rede de atendimento, com delegacias especializadas, salas de atendimento remoto e o aplicativo SP Mulher Segura, além do reforço no efetivo policial e de ações preventivas nas regiões com maior incidência.
Canais de denúncia
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
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