A geração Z (pessoas nascidas entre 1995 e 2010) tem demonstrado menor interesse em dirigir e em adquirir veículos próprios, tendência observada em diversas regiões do país e que também se reflete entre jovens de Itapetininga. O comportamento difere do das décadas de 1980 e 1990, quando obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) era visto como um sinal de liberdade, ousadia e desejo de muitos jovens.
A discussão ocorre no momento em que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou, na última segunda-feira, dia 1º, uma resolução que simplifica o processo para obtenção da CNH, retirando a obrigatoriedade de formação em autoescola antes das provas. Segundo o Ministério dos Transportes, a mudança pode reduzir em até 80% o custo total para tirar o documento.
Um estudo nacional da Localiza&Co, “Mobilidade Através das Gerações”, realizado entre abril e junho de 2024, indica que 52% dos entrevistados da geração X (nascidos entre 1961 e 1981) possuem CNH e dirigem regularmente. Entre os millennials (1982-1997), o índice é de 42%. Já entre os jovens da geração Z (1998-2009), apenas 38% afirmam dirigir com frequência. Desse grupo, 18% possuem habilitação, mas optam por não conduzir.
Em Itapetininga, relatos de jovens também mostram essa mudança de comportamento. Gabriela de Almeida, de 21 anos, é habilitada, mas relata insegurança após alguns episódios que a fizeram ter receio de dirigir. “No momento não investiria em um carro, prefiro pegar um Uber já que atualmente dirijo menos de uma vez por semana”, explica.
Gabriela conta que é criticada pelos pais por essa decisão, já que se locomove com eles pela cidade ou utiliza aplicativos de viagem. “Eu tenho medo de dirigir, mas também acabo não passando ‘segurança para eles’ e por isso raramente posso usar o carro, quando dirijo é sempre para resolver algo dentro da minha vila. Quando é mais longe, um deles sempre vai comigo”, afirma.
Isabela Caixeta, de 20 anos, também possui CNH, mas diz não gostar de dirigir. Ela afirma que só assume o volante quando realmente necessário e evita percursos mais longos.
Segundo Isabela, dirigir a deixa tensa, especialmente no trânsito mais intenso. Ela explica que se sente mais segura conduzindo veículos automáticos. “Eu não tenho tanto medo, mas fico muito nervosa. Então só dirijo se o carro for automático”, conta.
Economia, medo e trânsito
O presidente da Federação Nacional das Autoescolas e Centro de Formação de Condutores (Feneauto), Wagner Prado, destacou à Agência Brasil que os jovens de hoje não consideram mais a CNH uma prioridade, devido fatores como a crise econômica, inconvenientes do trânsito e os custos para manter um automóvel, além da popularização de aplicativos móveis.
Para alguns, o receio não está no ato de dirigir, mas no valor do carro disponível. O itapetiningano Matheus, de 22 anos, resume: “Não tenho medo de dirigir, mas o carro da minha mãe é muito caro. Aí, claro, tenho medo de dirigir ele.”
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