“Com o drama da dependência química, os familiares, principalmente as mães, adoecem, sofrem de depressão, têm AVC, muitas delas estão hoje em cadeira de rodas e na UTI. Ou seja, o vicio é mais devastador ainda na família.” A afirmação é de Ismael Aparecido Cafundó, o Leco. Recentemente, ele perdeu o filho de 28 anos para o crack. Ele se matou após longo período de uso de drogas e sofrimentos para si e os integrantes da família.
Segundo Leco, o crack não degrada apenas os usuários, atinge com fúria também os familiares, que viram codependentes do vício. Da mesma maneira que relações problemáticas em casa podem motivar um refúgio nas drogas, famílias bem constituídas, que se imaginavam distantes dessa realidade, estão sujeitas aos flagelos da droga. No meio da dependência química estão mulheres, maridos, irmãos, amigos, filhos e, principalmente, o pai e a mãe.
Mesmo com a trágica morte de seu o filho dependente químico, ele busca forças para continuar ajudando familiares que lutam contra o grave problema e ainda finaliza um manual de autoajuda para as vítimas das drogas. Atualmente, ele presta acompanhamento psicológico e espiritual para codependentes na cidade. A lista não é pequena e, segundo ele, por dia são dezenas de mães desesperadas buscando amparo. “A mãe, com certeza, é a que mais sofre, ela deixa sua vida para viver o drama do filho. Deixa de cuidar de sua saúde, de higiene, de ir ao cabelereiro e até mesmo de se olhar no espelho. Mas a tragédia não para por ai. Conhecemos muitos mães que perderam a vida”, explica.
Muitas sacrificam a própria vida pessoal e profissional para internação dos filhos. Outras chegam ao extremo de comprar drogas ou pagar dívidas com traficantes para afastá-los da violência. “Quando a mãe paga a dívida do filho na boca ou a conta dele no boteco, ela não sabe, mas está pagando o resgate do próprio sequestro”, afirma Cafundó que batalha há mais de 15 anos pela causa e que estudou o vicio das drogas e até mesmo construí uma espécie de laboratório para analisar os efeitos devastadores do crack.
Ele explica que, por inocência, os familiares muitas vezes tratam o filho de forma equivocada. “Os familiares vivem dilemas diários diante dos desafios impostos pelo vício por isso muitas vezes não conseguem lidar com a situação. Geralmente o filho chega na casa quando está acabando a brisa do crack, mas ele está sob o efeito do álcool. A mãe deve saber agir neste momento, pois o atrito e a discussão é o inicio da tragédia. A codependencia mutila e mata mais que o próprio vicio”, afirma
Pedido de socorro
Aceitar a situação é o primeiro desafio. Dar a volta por cima é possível, segundo ele. Atualmente, ele realiza reuniões com orientação espiritual e psicológica para dependendente e codependentes de droga ou do álcool. Na segunda-feira, a reunião é na Igreja de São Roque às 20h. Na sexta-feira, no mesmo horário, na Igreja Nossa Senhora das Estrelas. Informações: (15) 99671-8245.
Reflexão
Filho do amor: agora se foi.
Mais uma que não conseguiu ser crack na vida, só “crack” do terror.
Sentimentos retraídos, perdidos, sofridos, tão confuso que nem acreditava muitas vezes que era gente.
Sem coragem até de crer que sempre foi e será meu amado filho.
Só conseguiu agora, nesta sua viagem, muita coragem e ação para levar na sua bagagem minha serenidade, minha paciência, minha fé e meu perdão.
Quando estava partindo lembrou e voltou a buscar meu coração e ainda deu tempo para dizer “Pai eu te amo e sempre vou te amar”.
Nessa viagem pouco de nós estamos preparados. Nossa bagagem colocando nela, o amor, a paciência, o perdão. Que tristeza chegar ao destino com a mala vazia ou lotada de rancor, ódio, orgulho e muita dor.
Esquecendo que a primeira dessa bagagem é o amor.
Meu filho Felipe Augusto morreu no domingo, dia 22, às 16h30. O crack deu a ele a brisa, a euforia e o prazer, mas para tudo isso precisou morrer.
Leco















