Para a Igreja Católica, o matrimônio é visto como a entrega de duas pessoas para uma vida em conjunto, tendo a benção de Deus para a sua unidade. Tertuliano, padre dos séculos II e III, afirmava que é o homem e a mulher unidos em uma única esperança, em um único respeito e em uma única vida de serviço e doação. Assim é a história de Francisco Ferreira dos Santos, de 48 anos, e Cleonice Lima, de 49, que se casaram nesta segunda-feira, dia 06, na Capela Nossa Senhora de Lourdes, localizada nas dependências do Hospital Léo Orsi Bernardes (Hlob), em Itapetininga.
Ao longo de 16 anos, o casal construiu uma relação de companheirismo, cuidado e dedicação. Os dois, que se conheceram em um baile na cidade após Cleonice o convidar para dançar, ela sempre conta a história alegando que no dia ele ficou “que nem bobo”, e desde então, nunca mais se separaram. Mesmo quando Francisco foi diagnosticado com câncer no estômago em 2013, os dois permaneceram lado a lado, sonhando com a formalização de sua união e amando cada momento da vida que construíam juntos.
Descrito pela cunhada, Ilza Lima, como um guerreiro, Francisco sempre fez de tudo: tinha amor pela cozinha, gostava de jogar bola e de pescar, e apesar da cirurgia, não parou de trabalhar como pedreiro. Em fevereiro, recebeu baixa do Hospital do Amor, em Barretos, onde fazia tratamento. “Infelizmente a doença voltou com metástase, e disseram que não tinham mais o que fazer por ele”, explica.
Ilza conta que ele nunca deixou de ter fé, que o casamento era um assunto sempre comentado e ansiado pelos dois. “Ele é um homem muito forte. O sonho dele e da minha irmã era o casamento no civil e religioso”.
Internado no Hlob desde o dia 26 de março, durante uma oração junto ao médico responsável pela ala paliativa do hospital, Francisco expôs este desejo de se casar. Sem pensar duas vezes, o médico prometeu que atenderiam o pedido. “Toda a equipe do Hospital, sabendo da história, se mobilizou junto com o padre Fernando e o doutor Rodolfo para fazerem esse casamento do sonho de ambos”, se emociona a cunhada.
De acordo com Ilza, no fim da tarde de hoje, dia 07, o casal irá oficializar a união civil com a presença do cartório na ala hospitalar. Ela elogia o cuidado de toda a equipe que se dedicou a providenciar uma verdadeira celebração, com direito à vestido, buquê e maquiagem para a noiva, terno para o noivo, bolo, docinhos e até as alianças. “Minha irmã está emocionada e feliz, apesar da situação, ela sempre quis se casar de noiva. Para ela, foi uma experiência única!”.
Organizado pelo capelão do hospital, padre Fernando Carvalho, esta foi a primeira vez que foi realizado um casamento de um paciente em cuidados paliativos no local. Ele descreve a experiência como “extremamente emocionante”.
Durante a cerimônia, Cleonice e Francisco celebraram junto dos funcionários do hospital, e da família da noiva, que residem em Itapetininga. Os parentes do noivo não puderam comparecer devido à distância, pois moram no Ceará.
“A família está muito feliz. Nós amamos o Francisco como se fosse do nosso sangue, nós somos, de fato, a família dele”, acrescenta.
Entusiasmado, Francisco alega que finalmente o amor da vida dele é oficialmente a sua esposa. Os dois enfrentaram tudo e fizeram o que podiam para terem um ao outro por perto, por todo o tempo que tivessem, pois sempre quiseram permanecer juntos, unidos um ao outro, fosse como fosse, eles sempre se escolheram.
Para ler mais notícias como essa, acesse a área de Saúde.


















