Maria Teresa Fernandez Piedade, conhecida em Itapetininga como Maitê, foi condecorada no Palácio do Planalto, em Brasília, com a Ordem Nacional do Mérito Científico, uma das mais importantes honrarias concedidas pelo governo federal a pesquisadores e instituições com destacada atuação na área científica. A cerimônia, realizada no dia 12, foi promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Dra. Maitê tem uma ligação marcante com Itapetininga, onde viveu por quatro anos e lecionou na Escola Estadual Peixoto Gomide. Durante esse período, foi professora de mais de 600 alunos.
Maria Teresa cursou biologia na Universidade Federal de São Carlos, onde teve seus primeiros contatos com a pesquisa científica. “Durante a graduação conheci meu marido, Luiz Rubens Piedade, nascido em Itapetininga e que cursava química”.
Foi após concluir sua graduação que a família se mudou para Itapetininga, cidade natal de seu marido, onde ministraram aulas no Peixoto Gomide. “Foi um período muito bom da minha vida, conhecer e ensinar tantos jovens motivados e cheios de energia – alguns com mais energia do que motivação, o que é natural! Guardo essa fase da minha vida no coração”, desabafa.
A decisão de ir para Manaus foi tomada devido o desejo de trabalhar com pesquisa científica. “A Amazônia era, e ainda é, o maior laboratório e atrativo. Assim, nos empenhamos na busca de oportunidades de trabalho no Norte do Brasil”. Maitê ainda conta que entre seus estudos e trabalhos em Manaus, ela e o marido visitam Itapetininga regularmente para ver a família.
Além de pesquisadora sênior do Inpa, ela é professora nos programas de pós-graduação em Ecologia e Botânica da instituição, e também leciona no Mestrado em Biodiversidade da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Maria Teresa também lidera o grupo de pesquisa Maua/Inpa, que investiga e monitora as áreas úmidas da região amazônica.
A pesquisadora descreveu a sensação de receber a homenagem como ‘uma honra indescritível’. “Gosto muito do meu trabalho e esse é meu maior motivador. Porém, o reconhecimento da comunidade científica ao valorar esse trabalho é particularmente gratificante. Temos que lembrar que a profissão de cientista no Brasil ainda não é tão conhecida e reconhecida. Isso deve ser mudado, pois temos um conjunto de profissionais de alto nível, que orgulham o país e contribuem para seu desenvolvimento e crescimento”, destaca.
Fernandez dedicou seu prêmio à todas as mulheres que atuam na região amazônica, um ato que para ela é fundamental. “Fazer ciência é desafiador, mas conciliar isso com a maternidade e, em alguns casos, com a discrepância salarial e de tratamento é um desafio ainda maior. Felizmente, vemos que o número de mulheres ocupando cargos de liderança vem aumentando, mesmo que muito lentamente. Isso é uma conquista que não pode ser revertida”, celebra a cientista.
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