De acordo com o último censo demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 32.113.490 pessoas com 60 anos ou mais, o que representa 15,1% da população. Essa população idosa cresceu 56% em relação a 2010, evidenciando o envelhecimento da população brasileira e com isso, os cuidados com a saúde mental.
De acordo com o psicólogo Gupi Munhoz, com o envelhecimento, as emoções tendem a ser sentidas e expressas de forma diferente. “Em geral, há uma busca maior por equilíbrio, menos impulsividade e maior valorização dos afetos. Por outro lado, alguns idosos podem se tornar mais reservados ou menos expressivos, tanto por questões culturais quanto pelo medo de sobrecarregar a família”.
Ainda segundo o especialista, a terceira idade traz desafios específicos para a saúde mental, como o aumento da incidência de depressão, ansiedade, sentimentos de solidão e perda de sentido. “Fatores biológicos, como alterações neuroquímicas, coexistem com perdas sociais (falecimento de pessoas próximas, afastamento familiar) e mudanças funcionais (limitações físicas e cognitivas)”.
As principais dificuldades também estão em reconhecer a necessidade por busca de ajuda. “O preconceito ainda é forte. Muitos idosos foram ensinados a lidar sozinhos com sofrimento ou acreditam que terapia ‘não é para sua geração’. Quebrar esse tabu passa por falar abertamente sobre saúde mental, valorizar exemplos de idosos que buscam apoio e incluir profissionais capacitados para atender essa população, mostrando que cuidar da mente é tão fundamental quanto cuidar do corpo”.
Entre os sinais que podem indicar algum transtorno mental estão apatia, isolamento, perda de interesse em atividades que antes traziam prazer, alterações no sono e apetite, irritabilidade, choro frequente, reclamações físicas vagas (dores, cansaço sem causa médica clara), dificuldade de concentração e aumento do pessimismo. Além de mudanças abruptas de humor ou uma preocupação excessiva com a saúde também são comuns.
As dicas de Gupi para uma melhor qualidade de vida para a saúde mental são as práticas de atividades simples e acessíveis, que já fazem diferença. “Caminhadas, grupos de conversa, leitura, artesanato, música, dança, voluntariado e prática de hobbies antigos ou novos. Exercícios de respiração, mindfulness, participação em projetos intergeracionais e atividades que resgatem memórias positivas também contribuem para o bem-estar. Além, claro, do convívio social, que é um dos principais fatores protetores para a saúde mental do idoso. Participar de grupos, manter contatos regulares com familiares e amigos, engajar-se em atividades coletivas ou comunitárias ajuda a prevenir quadros depressivos, reduz a solidão e estimula as funções cognitivas. Relações afetivas positivas oferecem suporte emocional e ampliam o sentido de vida”, conclui Munhoz.
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