O número de veículos em Itapetininga cresceu oito vezes mais em comparação com a população nos últimos dez anos. Dados do Ministério dos Transportes e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2015 e 2025, a frota do município aumentou 38%, enquanto a população teve crescimento de apenas 4,6%.
Em uma década, a população estimada da cidade cresceu 7.240 habitantes, passando de 157.016 para 164.256 moradores. No mesmo período, a frota de veículos aumentou em 33.602 unidades, saltando de 88.377 para 121.979.
A relação entre o número de veículos e habitantes também se estreitou. Atualmente, Itapetininga possui 74 veículos para cada 100 moradores. Há dez anos, a proporção era de 56 veículos para cada 100 habitantes.
Os automóveis seguem como a principal categoria da frota do município. O número passou de 47.776 em 2015 para 61.849 em 2025, crescimento de 29,4%, representando atualmente 50,7% de todos os veículos registrados.
Já a frota de veículos de duas rodas, composta por motocicletas, motonetas e ciclomotores, cresceu 43,3% no mesmo período, saltando de 25.765 para 36.929. O segmento representa hoje 30,3% da frota total.
Somadas, essas duas categorias concentram mais de oito em cada dez veículos em circulação na cidade.
A frota de caminhões e caminhonetes foi a que mais cresceu ao longo da última década. O número passou de 11.715 para 16.924 veículos, aumento de 44,4%.

Especialista alerta para impactos no trânsito
Enquanto a frota cresce em ritmo acelerado, a infraestrutura viária não se expande na mesma velocidade. O número de ruas, avenidas e acessos urbanos permanece praticamente estável no curto prazo. Para o especialista e instrutor de trânsito Tiago Morais, o alto crescimento do número de veículos pode trazer consequências para a mobilidade urbana, como tornar o tráfego mais lento e aumentar o estresse dos condutores, contribuindo para o aumento do desrespeito às normas de trânsito.
“Muitas vezes o motorista fica mais estressado e acaba agindo de forma mais agressiva ou por impulso. Com isso, pode haver aumento de infrações e até de sinistros graves, que podem resultar em sequelas permanentes ou até em mortes, além dos custos gerados ao sistema público”, explica.
Na avaliação de Morais, o crescimento da frota é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a facilidade de acesso ao crédito para aquisição de veículos, a expansão urbana e algumas deficiências do transporte coletivo.
Segundo Morais, por se tratar de uma área dinâmica, o trânsito exige monitoramento constante e maior atenção do poder público. Na avaliação do especialista, o planejamento viário e urbano do município não acompanha a velocidade de crescimento da frota, razão pela qual defende a realização de estudos técnicos permanentes sobre mobilidade urbana. “O ideal é que pessoas com conhecimento técnico estejam diretamente envolvidas no planejamento e realmente queiram fazer a diferença”, ressalta.
Como exemplo, ele cita as dificuldades enfrentadas por moradores da Vila Mazzei nos horários de pico. Segundo o especialista, a expansão habitacional da região não foi acompanhada por um planejamento adequado da circulação viária, comprometendo a fluidez do trânsito e podendo dificultar o acesso de equipes de emergência em situações críticas.
Prefeitura destaca medidas para mobilidade
Em nota, a Prefeitura apontou a implantação do programa Ônibus de Graça como uma medida para facilitar o deslocamento da população e reduzir a circulação de veículos, além da criação da Zona Azul na área central, visando aumentar a rotatividade das vagas e favorecer a atividade comercial.
Segundo o Executivo, a Secretaria de Trânsito realiza monitoramento constante das vias e promove intervenções periódicas em pontos de maior fluxo, incluindo alterações de preferência, conversões e adequações viárias para minimizar os impactos do crescimento da frota.
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