O sonho de cursar Medicina em uma universidade pública costuma parecer distante para muitos estudantes da rede pública, principalmente para aqueles que precisam conciliar estudos e trabalho. O itapetiningano Guilherme Correa, de 25 anos, quer mostrar justamente o contrário: que, apesar das dificuldades, a aprovação é possível.
Nascido e criado em Itapetininga, Guilherme estudou na Escola Estadual Peixoto Gomide e concluiu o ensino médio em 2018. Filho de uma auxiliar de educação aposentada, ele afirma que precisou construir praticamente sozinho o caminho até a universidade, conciliando a rotina de estudos com o trabalho.
Neste ano, ele conquistou uma vaga no curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), após mais de dois anos de preparação intensa e diversos vestibulares prestados. “Quero mostrar que, apesar das dificuldades reais que existem, é possível alcançar o objetivo”, afirma.
Após terminar o ensino médio, Guilherme conta que ainda não sabia exatamente qual carreira seguir. Em 2023, conseguiu aprovação para Engenharia Elétrica na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mas percebeu que não se identificava com o curso.
Ele cursou um ano da graduação em 2024, período em que já dividia a rotina universitária com os estudos para Medicina. No segundo semestre daquele ano, decidiu focar integralmente no vestibular.
A preparação foi feita de forma autodidata, principalmente por meio de cursinhos online. Desde 2024, Guilherme também trabalha editando vídeos em home office, atividade que conciliava com a rotina intensa de estudos.
“Eu estudava o dia todo e trabalhava umas quatro ou cinco horas durante a noite”, relata. Segundo ele, em 2024 a rotina chegava a sete ou oito horas de estudos diários. Já em 2025, a média foi de cerca de cinco horas por dia.
Frustração antes da aprovação
Antes da conquista na UFPR, Guilherme enfrentou um momento que define como um dos mais difíceis da trajetória. Em 2025, após um ano inteiro estudando cerca de oito horas por dia, ele ficou em 1° lugar na lista de espera de Medicina da UFSCar, mas não foi convocado.
O episódio abalou emocionalmente o estudante, que passou alguns meses sem conseguir estudar. “Isso me deixou bastante abalado psicologicamente e fez com que eu ficasse de janeiro a abril de 2025 sem estudar”, conta.

Apesar da frustração, ele retomou a preparação e voltou a focar no objetivo de conquistar uma vaga em Medicina.
Incentivo aos jovens
Guilherme afirma que, no início, enfrentava dificuldades principalmente por não saber por onde começar os estudos. Segundo ele, o apoio de familiares também foi importante durante a preparação, especialmente de um primo que o ajudava com aulas de matemática.
Agora aprovado, ele utiliza as redes sociais para compartilhar a própria trajetória, métodos de estudo e incentivar outros estudantes da rede pública. Em seu perfil no Instagram, @guilherme.correap, o estudante publica conteúdos relacionados à rotina acadêmica e preparação para vestibulares.
Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Guilherme diz que pretende usar sua história como forma de motivação para jovens que acreditam não ter condições de chegar a uma universidade pública. “Que não desistam. Os estudos, para quem não nasceu rico, são o melhor meio de conquistar as coisas. Além disso, é importante buscar ajuda de professores, amigos e qualquer rede de apoio possível durante esse período de vestibular”, afirma.
Inscrições Enem
O Ministério da Educação (MEC) e o Inep prorrogaram as inscrições do Enem 2026 até o dia 12 de junho. As provas seguem previstas para os dias 8 e 15 de novembro. O exame é considerado a principal porta de entrada para universidades públicas do país, por meio do Sisu, além de possibilitar acesso a programas como Prouni e Fies. Para mais informações sobre o exame clique aqui.
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