Há pouco tempo, Dona Ana ainda comandava com energia e ternura sua casa e recebia consecutivamente com alegria o pedido de bênçãos de seus filhos, que permanentemente a visitavam. Lúcida, saudável, sempre preocupada em saber dos mínimos detalhes sobre o estado físico e espiritual, condição de trabalho, situação econômica e outros assuntos que dizem respeito aos seus descendentes, procurando auxiliá-los em tudo.
Ana Teodora Machado, uma veneranda senhora. Desde o casamento com o saudoso Arnaldo Soares Hungria, assumiu o importante e insubstituível papel que jamais abandonou: conduzindo filhos, netos e bisnetos como verdadeira mãe, super-protetora de todos. Aliás, esse sacerdócio, nos ditames cristãos, que desenvolveu desde o nascimento dos filhos, Jordão, Borba, Hélio – primeiramente e depois Ana, Rosa e Rosana. O esposo Arnaldo faleceu em 1973, depois de quarenta anos de uma vida em comum. O casal trabalhou incansavelmente em busca de melhoria de vida e um futuro promissor para os filhos.
Com o propósito de se dedicar mais à educação dos filhos, d. Ana decidiu trabalhar na própria casa, passando a lavar roupas para famílias da cidade. E o fez com capricho e dedicação, “como se fosse para seus próprios familiares”, como se recorda um dos filhos de uma freguesa da época. Diariamente seus filhos – tanto Borba, como Jordão ou Hélio – entregavam toda a roupa devidamente limpa e “agradavelmente passada” para os clientes. Dessa forma, da imensa freguesia se destacavam d. Hilda Válio, esposa do “contador” Isaltinoi Válio, Terezinha Tambelli. d. Helena Garcia, família Ruzza, João Cavalcanti, o proprietário do “Pavão de Ouro”, entre outros. Mantendo a humildade no trabalho, mas sempre se conduzindo com o porte altivo de uma grande senhora, na definição de muitos que a conhecem, principalmente vizinhos da Vila Nova, onde residiu por dezenas de anos.
Após deixar as tarefas de lavar e passar roupas, d. Ana Teodora, através de concorrência, forneceu, durante muitos anos, marmitas aos presos da cadeia local, com um trabalho higiênico, alimentação saudável e sem qualquer economia de matéria. Seu esposo Arnaldo, além de tipógrafo no extinto jornal “Aparecida do Sul”, de propriedade de José de Campos (Campinho), também colaborava com artigos no semanário, tendo se estabelecido no atual Mercado com uma pequena mercearia, onde d. Ana também trabalhava, atendendo os fregueses e coordenando toda a movimentação, isso durante 21 anos.
Dona Ana faleceu nesta quarta feira, aos 99 anos, deixando muita saudade aos filhos, netos, bisnetos, familiares e os muitos amigos que angariou durante toda sua vida.
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