Os deficientes visuais de Itapetininga estão descontentes com o transporte coletivo da cidade. Não bastasse toda a dificuldade que têm para se deslocar no dia a dia, eles reclamam que a Viação Rosa, operadora do transporte público da cidade, não respeita a lei de acessibilidade. Eles cobram a instalação de uma aparelho que avisa o momento da chegada do ônibus. “Do jeito que está é constrangedor, pois não sabemos se o ônibus que vamos pegar e sempre dependemos da boa vontade das outras pessoas para nos ajudar”, afirma o estudante e deficiente visual Rafael Tavares de Moraes, 22 anos.
Ele, que utiliza diariamente o transporte público da cidade, afirma que chegou a perder diversos compromissos por conta da situação. “Muitas vezes temos que pedir para as pessoas nos avisar quando chega o ônibus, mas elas acabam saindo e ficamos esperando por horas. É triste”, desabafa. Ele lembra que a empresa respeita a lei de acessibilidade para deficientes físicos, mas ignora os visuais. “A lei deve ser cumprida para todos”, critica.
Amigo de Tavares, o auxiliar de Educação Flávio Marcos Luiz Rodrigues, 38 anos, também critica a falta de acessibilidade para deficientes visuais no transporte público da cidade. Ele é cego desde os três anos após sofrer de um problema na retina dos olhos. Todos os dias enfrenta uma rotina de dificuldades de locomoção, preconceito e constrangimento que é amplificada por diversas barreiras. Um desses obstáculos é o transporte público, o qual ele também precisa utilizar todos os dias.
Ele conta que algumas cidades, como Ribeirão Preto, Jaú e Limeira utilizam há tempos um dispositivo que ajuda portadores de deficiências, principalmente visuais, a usar o transporte público. O DPS2000, nome dado ao sistema, consiste em dois pequenos aparelhos que se comunicam por ondas de rádio. Um deles, que fica com o usuário, é programado com as linhas de ônibus que a pessoa usa.
“Quando o passageiro escolhe uma delas, o dispositivo começa a emitir um sinal. Quando o ônibus da linha desejada chega a cerca de 100 metros do emissor, outro dispositivo instalado no ônibus avisa o motorista de que algum deficiente espera no ponto”, explica.
A reportagem apurou que O DPS2000 foi desenvolvido há cerca de cinco anos e já está instalado em toda a frota do transporte coletivo de Jaú e também começou a ser instalado em São Paulo e Santos. O custo de instalação é de aproximadamente R$ 700. Já para os usuários, o custo do aparelho é de R$ 300. Em Jaú, no entanto, a prefeitura comprou 50 dispositivos para serem distribuídos.
Prefeitura
Questionada, a prefeitura de Itapetininga informou que juntamente com a Empresa de Ônibus Rosa busca informações e realiza estudos sobre o assunto, com o intuito de atender as necessidades dos deficientes visuais que dependem do transporte público, tornando-os mais independentes. “A acessibilidade é umas das preocupações da Administração Municipal, não só no transporte coletivo, mas na mobilidade urbana em geral”, informou.















