O Instituto Médico Legal (IML) de Itapetininga tem sido alvo de reclamações por conta da demora para liberação de corpos, principalmente no final de semana. Segundo moradores e familiares de vítimas, a situação causa transtorno e sofrimento. De acordo com peritos, o motivo da demora é o número reduzido de legistas da Polícia Civil que trabalham no Necrotério Municipal.
Nesta semana, o caso veio novamente à tona após o caso de dois suicídios na cidade no final de semana. Os familiares tiveram que esperar até segunda-feira, dia 18, para poder velar os corpos. Segundo o vereador Milton Nery (Pros), que acompanha o caso, o problema no IML se arrasta desde o ano passado. “O problema foi a transferência de um perito para Sorocaba. Agora não fica ninguém durante os finais de semana”, afirmou o vereador.
Na semana passada, a família de uma jovem de 20 anos, vítima fatal de um acidente de motocicleta na Raposo Tavares (SP-270) ,teve que aguardar mais de 20 horas para a liberação do corpo da jovem. Amiga da família, Denise Aparecida, relata o drama dos pais. “Tiveram que esperar cerca de 24h para velar a filha.Amanhecemos acordados, ligamos para o delegado, para todo mundo, falavam que não tinha perito legista”, relata.
Segundo ela, a situação causa sofrimento para os familiares. “Ficamos revoltados. Entendo que aqueles últimos momentos são para a família que quer ficar perto, prestar a última homenagem, fazer a oração. Mas neste caso, a família sofreu muito, ficou desesperada. Além do sofrimento da morte, tiveram que pássar por esse outro drama”, relatou.
A situação se tornou dramática desde o ano passado e se tornou de conhecimento público após a demora em realizar a autópsia e liberar o corpo do piloto Rodrigo Pereira Domingues, de 34 anos, morto no dia 14 de junho do ano passado durante uma prova do campeonato estadual de motocross em Guareí. Segundo a família o corpo só foi autopsiado e liberado na manhã do dia seguinte, quase 13 horas depois. Além desses, pelo menos mais 10 casos foram registrados.
Prédio precário
O necrotério municipal fica na Avenida Padre Antonio Brunetti, na Vila Rio Branco. O prédio, segundo denúncia, funciona de forma precária. Não há placa de identificação no local e quem olha pelo portão consegue ver o mato alto que toma conta do terreno.
Outro lado
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o órgão ainda está apurando o que aconteceu e que investiga o caso internamente.















