Na Fazenda Paiol, reivindicação do grupo de sem-terra, esconde-se a pequena e esquecida comunidade de São Tomé que guarda resquícios de um antigo quilombo e abriga 20 famílias descendentes de escravos. Segundo integrantes do movimento dos sem-terra, as famílias começaram a se cadastrar para a reforma agrária. “Eles têm direito a essa terra”, afirma Maria do Socorro, responsável pelo cadastramento. A reportagem apurou que a comunidade teme um conflito por posse da terra.
A mais antiga moradora da comunidade quilombola Lázara da Silva Leite, 86 anos, ainda guarda na memória as histórias de conflito de terra contadas pelo pai. Ela conta que sua família é de descendentes de escravos que mesmo antes da abolição da escravatura, já tinham se tornado proprietários de parte dessas terras, mas que foram expulsos por fazendeiros, ficando com uma pequena faixa. “Essa terra toda era de propriedade de meu tio-avô Benedito de Tomé, filho de um escravo que veio num navio negreiro. Mas que com a chegada de coronéis armados foi expulso da sua própria terra “, diz.
A comunidade de São Tomé não é reconhecida como quilombola pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Em 2014, os descendentes ainda vivem mais ou menos isolados e continuam na zona rural, na lavoura, e até pouco tempo, alguns eram empregados da Usina Vista Alegre.
A filha de Lázara, Maria Helena Silveira de Camargo, conta que a família até algumas décadas buscava na Justiça a devolução das terras tomadas no passado. “Meu tio sempre lutou por essas terras na Justiça, mas depois da morte dele ninguém mais sabe como está o processo”, afirma.
Zenaide Rodrigues da Silva de Camargo, 76 anos, também uma das moradoras mais antigas da comunidade teme que se repita a briga por terra. “Sempre fomos trabalhadores honestos da lavoura”, afirma.
A região tem suas origens territoriais em antigas sesmarias localizadas dentro dos limites da então “Villa de Itapetininga”, em extensas áreas terras doadas pelo governo português, entre os séculos XVIII e XIX. No passado, a região concentrava grande fazendas de café e com mão de obra agrícola predominantemente escrava. Desta mesma sesmaria teve origem a Fazenda do Paiol.
Segundo Sergio Roberto Lobo, que foi vereador do município de Quadra e hoje colabora com o movimento, a região possuía vários quilombos. “O São Tomé com certeza era um quilombo, está estrategicamente localizado numa área elevada onde geralmente os escravos se refugiavam. Eles têm todo o direito à essa terra que teria sido grilada por coronéis”, protesta.
Homem é preso suspeito de realizar entrega de drogas por “delivery” em Itapetininga
Um homem foi preso em flagrante no domingo, dia 08 de março, em Itapetininga, suspeito de comercializar drogas por meio de entregas a usuários, no formato conhecido como “delivery”. A...















