O assunto mais discutido no Brasil, nos últimos 10 dias, é a greve dos caminhoneiros, que bloqueou estradas, paralisou o fornecimento de insumos e afetou postos de combustíveis, aeroportos, supermercados, feiras livres, transporte público e outros setores. A greve se deu, a princípio, para reivindicar diminuição de R$ 0,41 no litro do diesel.
Em Itapetininga, assim como em outras cidades, o temor pelo desabastecimento de combustível e insumos básicos fez com que muitas pessoas estocassem comida e enchessem o tanque dos carros, mesmo com o aumento no preço da gasolina e etanol.
Durante os último dias, formaram-se filas enormes nos postos de combustiveis. Na manhã de terça-feira, dia 29, por exemplo, uma fila enorme se formou na Marginal do Chá, proximidades do Ginásio Ayrton Senna da Silva, em direção a um posto de combustível na rua Quintino Bocaiúva. Esta tem sido a saga dos motoristas na luta para abastecer seus veículos em Itapetininga.
O Correio buscou ouvir a população sobre a visão diante desta manifestação em forma de paralisação, apoio ou desaprovação ao movimento, e no que, de fato, esta greve causou na vida delas.
“Estou sem combustível para ir trabalhar hoje (28), irei trabalhar a pé nesta semana, mesmo assim, apoio a greve dos caminhoneiros. Acho legítimas as reivindicações”, diz Thaís Mota, 30, funcionária pública.
“Minha filha, que está na faculdade, ficou sem aulas por estes dias, mas é um sacrifício pequeno diante da importância da manifestação. Sou a favor da greve e não tenho medo se a paralisação continuar. Já que começou deve ir até o momento em que todas as reivindicações forem atendidas”, afirma Célia, 55, aposentada.
“Por enquanto tenho meu material de trabalho estocado para mais um tempo e apoio a greve dos caminhoneiros porque eles precisam de garantias para se sustentarem, pois com o aumento abusivo do imposto sobre o diesel, eles estão pagando para trabalhar”, diz Adriane Toledo, protética.
“Sou favor da greve. Subida diária do diesel, a gasolina mais de um euro por litro. Acho até que o brasileiro demorou a reclamar”, afirma Vanessa Milani, Analista de Sistemas.
“A greve afetou pouco minha rotina: estamos andando mais a pé para economizar combustível; o coral da Fatec do qual faço parte está suspenso por enquanto e minha filha, que utiliza o transporte público, tem que ficar mais atenta. Mas acredito que certas coisas acontecem para nos tirar do comodismo e nos faz pensar sobre o consumo excessivo de alguns produtos e a destinação que damos à conseqüência deste consumo, como o lixo, por exemplo”, disse Regina, 55, aposentada.
“Onde leciono houve baixíssima freqüência hoje (28) e as aulas desta semana foram suspensas e serão repostas no final do semestre letivo e os alunos terão férias reduzidas”, conta Rodrigo Raffa, professor de Física.
“Por ora não afetou minha rotina. Fui e voltei de Curitiba e meus filhos realizaram suas atividades normalmente. A ideia é que a greve acabe hoje (28), após publicação das medidas estabelecidas pelo governo no D.O.U (Diário Oficial da União), mas se continuar, como Itapetininga é fora da rota para alguns fornecedores, acredito que demorará uns 10 dias para normalizar a entrega de alguns artigos mais específicos”, afirma Viridiana, 48, médica.
Para Bete, aposentada e moradora do bairro, a rotina pouco foi afetada, mas a questão financeira tem feito a diferença no orçamento familiar. “Com a paralisação, os preços no supermercado estão muito altos e a gente tem que trocar alguns alimentos. Estou tentando trocar o leite por chá, pois está difícil comprar leite nestes preços.”
Comércio dos bairros
sofrem com falta de produtos
No bairro Vila Nova, região central de Itapetininga, a rotina típica de interior também foi afetada. O carro que vende ovos e verduras passa todas as terças-feiras, quintas-feiras e sábados, diminuiu os dias de venda, mas não deixa de atender os clientes.
Um parâmetro positivo às cidades do interior são as crescentes mercearias e bares nos bairros que abastecem as comunidades com produtos do gênero alimentício, higiene e limpeza e demais insumos de necessidade básica. Assim foi no bairro Vila Nova, que contou com a oferta destes produtos por bares que tinham todo tipo de produto estocado, para o alívio dos moradores. “Na mercearia da esquina comprei tudo que precisei para a semana, leite, pão, café, banana, desinfetante. Enfim, tudo, e com a vantagem de não pegar fila e se deparar com o desespero das pessoas nos supermercados”, disse André Luiz, 30, técnico em enfermagem.
No Jardim Paulista, o cenário foi o mesmo na região central da cidade. O bar e mercearia do bairro têm estoque dos produtos de primeira necessidade e pode atender à população local, mas o leite de saquinho já acabou e, segundo Willian Furtado, comerciante, o fornecedor já tinha avisado que o gênero sofrerá 15% de aumento, mesmo antes da greve. “Não sabemos quando farão entrega de leite, mas já sabemos que virá bem mais alto”, disse o comerciante.















