A Fundação Karnig Bazarian (FKB) está sob o comando de um interventor desde que a Justiça afastou os diretores no final do ano passado, mas enfrenta problemas como uma dívida estimada em R$ 2 milhões e a queda no número de alunos que já chegou a 2 mil e hoje está em torno de 700. A Câmara Municipal e Ordem dos Advogados (OAB) de Itapetininga entraram no debate e buscam soluções e também pedem informações para a Fundação.
A situação começou a ser discutida na última sessão da Câmara Municipal. O vereador Mário Carneiro (PPS) convidou o interventor da instituição para prestar esclarecimentos. “Apesar de ser uma fundação e ter caráter privado, a FKB é uma patrimônio do município e primeiro precisamos saber o que está acontecendo, mas a faculdade virou uma caixa de pandora, ninguém sabe o que se passa, se tem dívida, qual é o valor e se está em crise”, disse o vereador.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Itapetininga, Regger Alves, sugere que os administradores trabalhem para encampação da fundação por faculdade públicas como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) ou a Universidade de São Paulo (USP). “São várias etapas a serem cumpridas. Mas primeiro é preciso pagar as dívidas e fazer uma reestruturação da faculdade, investir na fundação para atrair mais alunos, fazer convênios com escolas e professores de São Paulo até que universidades como USP e Unesp venham encampar. A prefeitura também tem o poder de transformar o campus numa universidade municipal ou estadual”, disse.
Para quitar as dívidas, ele sugeriu para a administração e também para o MP que a faculdade venda alguns bens, como o imóvel do antigo colégio Athenas do Sul, localizado na Vila Barth. “Os administradores falam em alugar o imóvel, mas isso não vai resolver o problema. A principal sugestão é vender o prédio do antigo colégio, avaliado em torno de R$ 4 milhões, e pagar a dívida. Ou repassar para a prefeitura que, em anos anteriores, demonstrou interesse em abrigar uma escola municipal”, disse o presidente da OAB.
Intervenção
Um interventor foi nomeado pela Justiça e assumiu a administração da FKB em dezembro de 2016 após o Tribunal de Justiça de São Paulo determinar o afastamento dos diretores. O TJ ordenou a recomposição da estrutura funcional, elaboração de um novo estatuto e eleições para a diretoria. A direção da FKB já havia perdido em primeira instância, após decisão da juíza da 4ª Vara de Itapetininga, Vilma Tomaz Lourenço Ferreira Zanini, que acolheu a ação civil pública do Ministério Público. A direção da instituição recorreu e obteve uma liminar e retornou ao comando da FKB pouco tempo depois. Agora, a decisão é em segunda instância e a antiga direção abriu mão de recorrer.
O que levou ao afastamento foi a mudança do estatuto ocorrida em 27 de abril de 2005, considerada irregular.
O Jornal Correio procurou o interventor para esclarecimentos, mas ele não retornou as ligações.















