Moradores dos bairros Curuçá I e II reclamam da coloração escura, forte odor e mortes de peixes nas águas do rio Itapetininga. O local fica próximo ao encontro do Ribeirão Ponte Alta, afluente do rio Itapetininga que recebe quase todo esgoto da cidade sem tratamento e desemboca no rio Itapetininga. “A água sempre é escura e com cheiro e até então não sabíamos do que se tratava. O pessoal há meses não come o peixe daqui porque tem cheiro de óleo diesel”, diz o morador Osmar Ferreira de Almeida.
Ele afirma que após a morte de alguns peixes um técnico da Agência Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) coletou amostra da água no local e o resultado apontou apenas 2,25 mg/L de Oxigênio Dissolvido (OD). “Dezenas de peixes estavam mortos no rio e isso assustou muita gente”, afirma. Outro morador, o caseiro Joel Salles, afirma que se sente triste com a situação do rio. “Uma pena, pois é um rio dos mais valiosos que temos”, desabafa.
O engenheiro ambiental e mestre em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo (USP), Vinicius Mori Válio, acompanhou a reportagem até o local e afirmou que a situação é preocupante. Ele explicou que o OD é responsável por oxidar a matéria orgânica da água e permitir a respiração dos peixes. “Por isso a sobrevivência das espécies aquáticas é totalmente dependente dele”, afirma o especialista que teve seu projeto de conclusão de curso sobre a qualidade da água do Rio Itapetininga. Como o ideal para qualidade da água é de pelo menos 6 mg/L, o OD apresentado recentemente é de rios mais poluídos por esgotos domésticos.
Na última segunda-feira, dia 5, a coloração do rio estava avermelhada após as pancadas de chuva. “Com água da chuva, o vermelho das águas mascara a cor cinza escuro do esgoto. Quando o rio está baixo diminui a razão de diluição. De qualquer forma não é recomendado consumir o peixe do local até que o problema seja solucionado”, afirma o especialista.
De acordo com o monitoramento do sistema pela Cetesb, os laudos de análises revelaram uma eficiência de remoção da carga orgânica de apenas 5% e uma redução geral de apenas 4%. “O valor mínimo exigido para a redução da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) era anteriormente de 80%, a qual foi alterada para 60%, ou seja, o efluente lançado no Rio Itapetininga através do Ribeirão Ponte Alta está muito abaixo do valor mínimo exigido pela legislação”, afirma o especialista.
O sistema de tratamento de esgoto é operado pela Sabesp Segundo a Cetesb, a cidade gera uma carga orgânica de 7.600 kg de Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) por dia. Desse número, apenas 300 kg é tratado e a carga remanescente, de aproximadamente 96%, vai para o rio sem tratamento e a remoção da carga poluidora ocorre em apenas 4%.
Sabesp
Por meio de nota, a Sabesp nega o problema e informa que o a estação de tratamento de esgoto está em pleno funcionamento. Porém não deu mais detalhes. Na semana passada, havia informado que trabalhos seriam concluídos em 60 dias A empresa afirmou que tem investido R$ 1,5 milhão na remoção de lodo da estação, que deve ser finalizado em março.















