A Sabesp tem até o final 2015 para resolver o problema nas estações de tratamento de esgoto na cidade. Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) se a medida não for cumprida receberá novas penalidades. De acordo com o órgão ambiental, a concessionária não realiza o tratamento adequado do esgoto e lança 96% da carga orgânica sem tratamento no Ribeirão Ponte Alta, afluente do Rio Itapetininga. Especialistas criticam o desrespeito com o meio ambiente.
O presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema), Décio Hungria Lobo, informou que vai analisar o caso e pedir para que o Ministério Público acompanhe os trabalhos da Sabesp. “O que se sabe é que há muito tempo alguns aeradores da Estação de Tratamento deixaram de funcionar e com isso o tratamento do esgoto é prejudicado”, afirma.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o vereador Fernandinho Rosa (SDD) afirmou que vai cobrar explicações junto à Sabesp e a Cetesb sobre o fato. “Vou fazer um ofício para saber desde quando está com esse problema e se houve o vazamento. Logicamente, causa um impacto muito negativo para o Rio”, diz.
O engenheiro ambiental Vinicius Mori Válio reforça que o principal problema são os danos ambientais causados pela falta de tratamento. “Muitos moradores do bairro Curuçá 1 me relataram o cheiro forte no rio Itapetininga na região onde o Ribeirão Ponte Alta desagua no rio Itapetininga. Este corpo hídrico é o que recebe o efluente final da estação do município”, diz.
Ele cobra uma solução aos órgãos competentes. “Vale lembrar que, o tratamento do esgoto doméstico gerado neste município não é uma cortesia da Sabesp, mas sim um serviço, ao qual pagamos”, conclui.
Entenda o caso
O tratamento de esgoto em Itapetininga é ineficiente, segundo relatório apresentado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). De acordo com o monitoramento do sistema, os laudos de análises revelaram uma eficiência de remoção da carga orgânica de apenas 5% e uma redução geral de apenas 4%.
A cidade gera uma carga orgânica de 7.600 kg de Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) por dia. Desse número, apenas 300 kg é tratado e a carga remanescente de aproximadamente 7.300 kg é lançada no rio Itapetininga diariamente. Ou seja, 96% vai para o rio sem tratamento e a remoção da carga poluidora ocorre em apenas 4%. Segundo a Cetesb, essa situação pode levar à mudança de classificação de tipo de rio por se tornar mais poluído.
Outro lado
Por meio de nota, a Sabesp informou que está investindo R$ 1,5 milhão na melhoria da operação da estação de tratamento de esgoto de Itapetininga. “Os trabalhos serão concluídos em 60 dias, aproximadamente”, prometeu. “Vale ressaltar que o município de Itapetininga dispõe de um sistema de tratamento de esgoto composto por duas lagoas aeradas e três lagoas de sedimentação. O índice de cobertura de esgotos é de 97% e de tratamento, 100%. Essa cobertura coloca Itapetininga como um município universalizado”, afirma a nota.















