Jocósos e exóticos eram os apelidos

Nossa vizinha, amiga e progressista Tietê tornou-se famosa em várias regiões. Pois além de industrias variadas prima em ser histórica e conhecida em quase todo Brasil por suas festividades realizadas no lendário rio que leva o nome da cidade. Mas, segundo seus próprios moradores e um interessante livro, que atestam essa veracidade, ela é conhecida como “cidade dos apelidos”. Nenhum de seus habitantes deixa de levar um epíteto, tal o hábito adquirido pelos seus sarcásticos, alegres e hospitaleiros moradores.
Esses pequenos introitos servem apenas de exemplo para outros municípios que também se engalanam por esta deliciosa prática. Em Itapetininga, igualmente, costumava-se apelidar cidadãos, qualquer que fosse sua posição social, econômica, raça, cor, religião ou aspecto pessoal.
Talvez, não em proporção tão elevada como a nossa tão admirada Tietê – a terra do vice presidente – Michel Temer -, mas também se constituía em “ato inteligente, sagaz e engraçado anexar alcunha a diferentes conterrâneos locais.
Não faz muito tempo, o cineasta e jornalista Hugo Georgetti em um magistral documentário discorreu sobre jogadores de futebol que carregam, com o nome, apelidos extravagantes. Dentre outros referiu-se à Cabeção, Garrincha, Tostão, Jair Furacão, Veludo, Gatatais, famosos craques que integraram a gloriosa seleção brasileira.
Também, no mesmo jornal “O Estado de S. Paulo”, outro astro da pena, Antero Greco, em semelhante assunto abordou o tema, isto é, a respeito de apelidos. Aliás, hoje, são raros os que completam os nomes com qualificações estranhas.
Após digressões interessantes sobre o tema, Antero Greco apresenta uma lista de apelidos de valorosos craques, que enalteceram o futebol pátrio. E, vai lembrando e anotando: Dentinho, Maisena, Maritaca, Pato, Ganso, Tatá, Diamante Negro (Leonidas), Queixada, Coice de Mula, Didí “o Príncipe Negro”, Vavá – o Peito de Aço – Nilton Santos – “a enciclopédia”, Falcão “ o Rei de Roma, para Djalma Santos “o Lorde”, Ademir da Guia , o Divino, Manga, o rei do Parque (Rivelino), Danilo – o “Príncipe”, chegando ao máximo, incomparável e único Rei “Pelé”.
Em nossas lembradas e saudosas equipes do CASI, DERAC e Associação Atlética Itapetiningana, pontificaram craques conhecidos por apelidos, citando-se Feijão, Dico Sonera, Duca, Waldemar Bicudo, Feitiço, Professor (Plínio Fontes), Duía, Casa Verde, Canarinho, Abrami Buri, Yoyo, Vicente Turco, Barra Funda, Xepa, Sorriso, Tempero, Biguá, Lapa, Osmair Leão, Jabá, Pirulito, Durango, Manga, Fubá. Eram conhecidos e festejados em todo canto da cidade, e não se importavam com a alcunha, pois assim denominados em razão de a terem adquirido quando crianças.
Mesmo, dentro da comunidade itapetiningana havia as pessoas com qualificações variadas por vezes deveras engraçadas ou ridículas. Como Bentevi, Xepa, Billy, Cueca, Dedé Saúde, Soco, Tico-Tico, Saracura, Barbaridade, Lenha,João Defunto, Galo, Almofadinha, Zé Tripa, Nem que Tussa, Tucano, Coca-Cola, Pinga, Cheiro Verde, Dito Torto. E a lista podia ser estendida com o acréscimo de outras centenas de epítetos estranhos, misteriosos, engraçados e até obscenos.

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