Velha praça poderá reverberar como antigamente?

As árvores são poucas, sem atrativos. Praticamente desapareceram e os passantes ignoram completamente as existentes. Os casarões antigo e o velho “repuxo” existem somente na lembrança do povo. Desapareceram também os charmosos bares e restaurantes. Exceção ao Clube Venâncio Ayres e o centenário prédio que abrigou a primeira cadeia, a Prefeitura e a Câmara, atualmente com as “demoradas reformas” paralisadas e sem qualquer data para o final do seu restauro.
Nos incômodos bancos não há mais namorados apreciando a tarde ou espairecendo-se à noite, em uma “melancolia dolorosa e saudosista”. Aliás, atravessar o “Largo dos Amores” tornou-se temerário e perigoso, pois o silêncio e a quase penumbra (as luzes bruxuleantes e pálidas) é o cenário próprio para assaltantes, desocupados ou mendicância.
Retreta não há mais, isto faz muito tempo. Acabou, também o “famoso footing” das noites enluaradas de sábados, domingos e feriado, atrações de todas as classes sociais de Itapetininga.
O antigo e festejado “Largo dos Amores” não é mais aquele, ponto central de todas manifestações da cidade então denominada “Atenas do Sul”. Em décadas passadas, marcaram presença figuras de destaque na política nacional como Fernando e Júlio Prestes, Getúlio Vargas, Eduardo Gomes, Plínio Salgado, Juarez Távora, Ademar de Barros, Campos Sales, Toniquinho Pereira, Ciro Albuquerque, Ataliba Leonel, Carvalho Pinto e Luiz Carlos Prestes (de passagem, quando se dirigia à capital paulista, e utilizando carro de praça, conduzido pelo motorista Daniel Caipira), Fernando Henrique Cardoso e Lula.
Foi ponto obrigatório de encontro de homens de negócios, local de lazer dos mais velhos que se encontravam para inconsequente bate papo ou cavaqueira, e concentração de namorados, “onde geralmente o final traduzia-se em sólido casamento”.
Enquanto o “footing” fluía pelos passeios daquele Largo, o alto-falante (colocado no edifício Guidugli), ia anunciando músicas oferecidas “como prova de amor, carinho ou de amizade”, entoados pelas vozes suaves potentes de Murilo Antunes Alvez, Hélio Araújo, Hélio Rochel ou Clodoaldo Gomes. Os ofertantes rapazes ou moças, que às vezes se ocultavam atrás de um enigmático “alguém” deslumbravam-se com a melodia enviada e sentiam-se plenamente felizes. Hoje, o Largo dos Amores – um lugar comum, está profundamente modificado e sem qualquer interesse. Durante o dia, cruzam a área pessoas apressadas, que se dirigem aos estabelecimentos bancários em meio a algumas barracas de artesanatos ou carrinhos turísticos conduzindo crianças, mas com desaprovação da maioria da população. A noite o silêncio é completo, bancos vazios, ninguém a frequenta, luzes quase apagadas, ao mesmo tempo em que a cidade cresce, dirige-se ao futuro, e o “Largo dos Amores” tornou-se passado.
Expectativa – Sinaliza-se atualmente que uma empresa local pretende “adotar” a “Praça Marechal Deodoro”, isto é, através de um projeto elaborado por competentes arquitetos, para a construção de um novo e moderno espaço público, resgatando, assim, o lembrado “Largo dos Amores”.
Simultaneamente, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico – 43ª Seção OAB, de. Itapetininga, procedeu a entrega, ao prefeito Luiz Antônio di Fiori, de quatro ofícios com sugestões relativas às principais praças históricas da cidade, “que há décadas vem sofrendo precária manutenção e desfiguradas no aspecto físico. O advogado Theotonio Affonso Pereira, presidente do Conselho afirmou na ocasião que “já se pode observar a falta de cuidado do poder público permitindo barraquinhas de todo tipo de comércio prejudicando seriamente o aspecto urbanístico”. Neste ano, nem o apreciado Carnaval do Boteco será realizado no Largo dos Amores.

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