O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a matéria de 2006: “Lixão de Itapetininga tem nota abaixo da média estadual”.
Bianca Proença
A Cetesb — Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental — divulgou um relatório com a avaliação de lixões e aterros sanitários em operação em todo o Estado de São Paulo. O Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares 2005 foi elaborado a partir de dados coletados nos 645 municípios paulistas. Na região, foram analisadas cerca de 45 cidades abrangidas pela agência de Itapetininga. Entre os piores índices estão Itapetininga, Itapeva, Taquarivaí e Buri.
As notas da avaliação da Cetesb variam de zero a dez, medidas pelo IQR – Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos, sendo enquadradas também nas faixas classificatórias: inadequada, controlada e adequada. Os piores resultados foram dos municípios de Taquarivaí e Itapeva (1.6); Ribeirão Branco (1,7); São Miguel Arcanjo (2,3); Guareí (3,3); Buri (3,4); Itararé (3,5); e Itapetininga (4,8). Todos tiveram as instalações consideradas em condições inadequadas e funcionam sem licença de instalação ou de operação, revela o relatório. Desses, apenas Itapeva, Itararé e Taquarivaí possuem Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a Cetesb, no qual a administração municipal estabelece compromisso do encerramento de aterros irregulares e lixões para instalação de aterro sanitário.
Entre os municípios com condições adequadas de disposição de resíduos estão: Avaré (9,5), Angatuba (9.3), Alambari (8.4), Campina do Monte Alegre (7.9), Sarapuí (8.3) e Paranapanema (8,4). Para a elaboração do Inventário, todas as instalações de tratamento e destinação de resíduos sólidos domiciliares em operação no Estado de São Paulo foram inspecionadas por técnicos das Agências Ambientais da Cetesb. Para a Companhia, os resultados indicam melhora gradual ao longo dos anos, “apesar da constatação de situação inadequada em alguns municípios”, expõe relatório. Na pesquisa de 1997 a 2005, o IQR médio aumentou de 4,04 para 7,36. Nesse mesmo período, a porcentagem de municípios com disposição inadequada passou de 77,8% (502) para 23,6% (152). Já os locais adequados passaram de 4,2% (27) para 48,5% (313).
Resultados
– Resíduos sólidos dispostos adequadamente passaram de 10,9% do total gerado, em 1997, para 80,2% em 2005;
– Nos 575 municípios com até 100 mil habitantes, responsáveis por 13,2% do lixo produzido no Estado, o IQR médio é 7,3;
– Nos 35 municípios com população entre 100.001 e 200 mil habitantes, responsáveis por 8,5% do lixo gerado, o IQR médio é 7,7:
– Nos 26 municípios com população entre 200.001 a 500 mil habitantes, responsáveis por 16,5% do lixo gerado, o IQR médio é 8,1;
– Nos nove municípios com mais de 500 mil habitantes, responsáveis por 61,8% do lixo gerado, o IQR médio é 9.
Itapetininga
Os estudos da área para instalação do aterro sanitário, de 200 mil m², foram concluídos há algumas semanas. A empresa de sondagem já aprovou o local. O solo foi escavado até 15 metros de profundidade, não sendo detectada a existência de lençol freático, e ainda verificada a presença de solo impermeável, o que diminui os riscos de contaminação das águas pelo chorume.
Este ano, a Cetesb propôs o acerto do TAC. Se firmado acordo, a Prefeitura teria prazo de noventa dias para dar entrada no licenciamento de uma nova área, sob risco de mais penalidades. O acordo não foi oficializado, pois a administração municipal indicou quatro áreas à Cetesb para instalação do aterro. Numa avaliação superficial, a Cetesb considerou uma das áreas, de 200 mil m², inicialmente adequada.
Apesar dos pareceres favoráveis, tanto da sondagem quanto da Cetesb, a Prefeitura ainda não iniciou o processo de licenciamento, informou a Companhia. Da mesma forma, o resultado dos estudos não foi encaminhado, o que deverá ser feito na entrada do pedido de licenciamento. De acordo com a Cetesb, a Prefeitura precisa elaborar um Relatório Ambiental Preliminar para análise da Secretária do Estado do Meio Ambiente. Há oito anos, o lixo produzido na cidade é depositado no lixão do bairro Capão Alto, sem licença ambiental para funcionamento. Para piorar a situação, este ano foi encontrado até suposto lixo hospitalar, com fetos e partes de corpos humanos.
A Polícia Militar Ambiental informa que o lixão opera em situação precária. Segundo a Polícia Ambiental, o chorume (líquido residual com alta carga poluidora formado pela decomposição dos resíduos sólidos, depositados em aterros sanitários) produzido está caindo no riacho próximo, passando pelo ribeirão dos Cavalos e contaminando o rio Itapetininga. O potencial de impacto deste efluente está relacionado com a alta concentração de matéria orgânica, reduzida biodegradabilidade, presença de metais pesados e de substâncias recalcitrantes. Além disso, materiais sólidos, como pneus, garrafas pet e outros objetos são carregados pela chuva. De acordo com o tenente Edson Moraes, “a infração ambiental é por conta dos efluentes de matéria orgânica, o chorume”, que está causando danos.
Prefeitura
A Prefeitura não comemora a avaliação do lixão recebida no último relatório da Cetesb. Por meio da assessoria de imprensa, informa que está providenciando a documentação necessária para o prosseguimento no processo de desapropriação da área onde será instalado o novo aterro sanitário. Paralelamente ao processo de desapropriação, dará entrada com a documentação referente ao licenciamento da área, sem informar quando.
O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a matéria de 2006: “Lixão de Itapetininga tem nota abaixo da média estadual”.
Bianca Proença
A Cetesb — Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental — divulgou um relatório com a avaliação de lixões e aterros sanitários em operação em todo o Estado de São Paulo. O Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares 2005 foi elaborado a partir de dados coletados nos 645 municípios paulistas. Na região, foram analisadas cerca de 45 cidades abrangidas pela agência de Itapetininga. Entre os piores índices estão Itapetininga, Itapeva, Taquarivaí e Buri.
As notas da avaliação da Cetesb variam de zero a dez, medidas pelo IQR – Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos, sendo enquadradas também nas faixas classificatórias: inadequada, controlada e adequada. Os piores resultados foram dos municípios de Taquarivaí e Itapeva (1.6); Ribeirão Branco (1,7); São Miguel Arcanjo (2,3); Guareí (3,3); Buri (3,4); Itararé (3,5); e Itapetininga (4,8). Todos tiveram as instalações consideradas em condições inadequadas e funcionam sem licença de instalação ou de operação, revela o relatório. Desses, apenas Itapeva, Itararé e Taquarivaí possuem Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a Cetesb, no qual a administração municipal estabelece compromisso do encerramento de aterros irregulares e lixões para instalação de aterro sanitário.
Entre os municípios com condições adequadas de disposição de resíduos estão: Avaré (9,5), Angatuba (9.3), Alambari (8.4), Campina do Monte Alegre (7.9), Sarapuí (8.3) e Paranapanema (8,4). Para a elaboração do Inventário, todas as instalações de tratamento e destinação de resíduos sólidos domiciliares em operação no Estado de São Paulo foram inspecionadas por técnicos das Agências Ambientais da Cetesb. Para a Companhia, os resultados indicam melhora gradual ao longo dos anos, “apesar da constatação de situação inadequada em alguns municípios”, expõe relatório. Na pesquisa de 1997 a 2005, o IQR médio aumentou de 4,04 para 7,36. Nesse mesmo período, a porcentagem de municípios com disposição inadequada passou de 77,8% (502) para 23,6% (152). Já os locais adequados passaram de 4,2% (27) para 48,5% (313).
Resultados
– Resíduos sólidos dispostos adequadamente passaram de 10,9% do total gerado, em 1997, para 80,2% em 2005;
– Nos 575 municípios com até 100 mil habitantes, responsáveis por 13,2% do lixo produzido no Estado, o IQR médio é 7,3;
– Nos 35 municípios com população entre 100.001 e 200 mil habitantes, responsáveis por 8,5% do lixo gerado, o IQR médio é 7,7:
– Nos 26 municípios com população entre 200.001 a 500 mil habitantes, responsáveis por 16,5% do lixo gerado, o IQR médio é 8,1;
– Nos nove municípios com mais de 500 mil habitantes, responsáveis por 61,8% do lixo gerado, o IQR médio é 9.
Itapetininga
Os estudos da área para instalação do aterro sanitário, de 200 mil m², foram concluídos há algumas semanas. A empresa de sondagem já aprovou o local. O solo foi escavado até 15 metros de profundidade, não sendo detectada a existência de lençol freático, e ainda verificada a presença de solo impermeável, o que diminui os riscos de contaminação das águas pelo chorume.
Este ano, a Cetesb propôs o acerto do TAC. Se firmado acordo, a Prefeitura teria prazo de noventa dias para dar entrada no licenciamento de uma nova área, sob risco de mais penalidades. O acordo não foi oficializado, pois a administração municipal indicou quatro áreas à Cetesb para instalação do aterro. Numa avaliação superficial, a Cetesb considerou uma das áreas, de 200 mil m², inicialmente adequada.
Apesar dos pareceres favoráveis, tanto da sondagem quanto da Cetesb, a Prefeitura ainda não iniciou o processo de licenciamento, informou a Companhia. Da mesma forma, o resultado dos estudos não foi encaminhado, o que deverá ser feito na entrada do pedido de licenciamento. De acordo com a Cetesb, a Prefeitura precisa elaborar um Relatório Ambiental Preliminar para análise da Secretária do Estado do Meio Ambiente. Há oito anos, o lixo produzido na cidade é depositado no lixão do bairro Capão Alto, sem licença ambiental para funcionamento. Para piorar a situação, este ano foi encontrado até suposto lixo hospitalar, com fetos e partes de corpos humanos.
A Polícia Militar Ambiental informa que o lixão opera em situação precária. Segundo a Polícia Ambiental, o chorume (líquido residual com alta carga poluidora formado pela decomposição dos resíduos sólidos, depositados em aterros sanitários) produzido está caindo no riacho próximo, passando pelo ribeirão dos Cavalos e contaminando o rio Itapetininga. O potencial de impacto deste efluente está relacionado com a alta concentração de matéria orgânica, reduzida biodegradabilidade, presença de metais pesados e de substâncias recalcitrantes. Além disso, materiais sólidos, como pneus, garrafas pet e outros objetos são carregados pela chuva. De acordo com o tenente Edson Moraes, “a infração ambiental é por conta dos efluentes de matéria orgânica, o chorume”, que está causando danos.
Prefeitura
A Prefeitura não comemora a avaliação do lixão recebida no último relatório da Cetesb. Por meio da assessoria de imprensa, informa que está providenciando a documentação necessária para o prosseguimento no processo de desapropriação da área onde será instalado o novo aterro sanitário. Paralelamente ao processo de desapropriação, dará entrada com a documentação referente ao licenciamento da área, sem informar quando.


















