Dirceu Cardoso – Depois do fumo, o governo de São Paulo investe, agora, contra a bebida. O dono do bar será multado e poderá ter o estabelecimento fechado se servir ou permitir que menores de 18 anos consumam alcoólicos. É uma vertente do problema e poderá contribuir. Mas não pode vigorar isoladamente. Além do comerciante, também precisam ser duramente responsabilizados os maiores em cuja companhia o menor se encontrar e seus pais e responsáveis que negligenciam o pátrio-poder. Isso sem falar no endurecimento das medidas anti-alcool já implementadas, especialmente a “lei seca” para motoristas.
Presente entre os homens desde a pré-história, o álcool, em suas diferentes formas, liga-se a celebrações, lazer e à cura (nos medicamentos). Desde a mais tenra idade, o indivíduo é “apresentado” a essa substância. Muitos começam a dela se servir, ainda crianças, no ambiente familiar. No Brasil das últimas décadas, as alterações de convenções sociais, infladas pelas campanhas mercadológicas, tornaram glamuroso o ato de beber alcoólico. Conter o alto consumo alcoólico é uma tarefa de elevadíssimo porte. Envolve aspectos comportamentais, mercadológicos e legais. Como é praticamente impossível eliminar a bebida da vida das pessoas, a primeira necessidade é criar parâmetros confiáveis que determinem níveis seguros de consumo, a partir dos quais o indivíduo seria socialmente considerado alcoólatra. (Todos bebem, mas ninguém se considera “alcoólatra”). Esse conceito, hoje, está demasiadamente permissivo e tem de ser revisto. As famílias têm de ser orientadas e alertadas para suas responsabilidades quanto ao consumo e as conseqüências e, se necessário, dispor de programas de apoio.
Apesar de algumas restrições pontuais ao redor do mundo, a bebida alcoólica correu livre até 1952, quando foi incluída como nociva no manual estatístico de desordens mentais. Mas o alcoolismo só passou a ser considerado como doença em 1967, pela Organização Mundial da Saúde. A “lei seca” que proibiu a venda de bebidas nas nas estradas paulistas durante os anos 80 foi um dos primeiros passos brasileiros e economizou vidas. Agora, a fiscalização dos motoristas nas cidades é um avanço. No entanto, precisamos mais: a grande tarefa é conscientizar o indivíduo. No dia em que isso for conseguido, poderão cessar todas as repressões…
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