O itapetiningano Silvio Antunes, de 19 anos, concluiu o primeiro ano na Duke University, localizada na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Em abril de 2025, o estudante ingressou na universidade por meio de uma bolsa de estudos integral. Em entrevista ao Jornal Correio, Silvio conta sobre a experiência acadêmica no exterior, o processo de adaptação em outro país e a importância da educação pública em sua trajetória e para os jovens brasileiros.
Além da Duke University, o jovem também foi aprovado com bolsas integrais em outras quatro universidades norte-americanas: Carleton College, Marquette University, Central College e Haverford College.
Na última semana, ele retornou ao Brasil para realizar um estágio no gabinete da deputada federal Tabata Amaral (PSB), em Brasília, durante as férias de verão das universidades norte-americanas, entre maio e agosto. Atualmente, Silvio cursa administração pública, economia e educação e afirma que o estágio representa uma oportunidade de compreender melhor o funcionamento do processo legislativo e da atuação parlamentar, já que tem o interesse de atuar na política futuramente.
O estudante já projeta novas experiências acadêmicas e profissionais. Segundo ele, a universidade oferece programas de intercâmbio e estágios em diferentes países. “Ainda não sei exatamente qual vou escolher. Existem oportunidades na África, Europa, Ásia e América Latina”, conta.
Reconhecimento acadêmico
Silvio afirma que a experiência universitária tem fortalecido seu interesse por política, além de ampliar seus conhecimentos para analisar e desenvolver políticas públicas que ajudem a população.
No semestre anterior, o estudante recebeu uma Menção Honrosa do Koonz Prize for Human Rights pela sua pesquisa sobre como a educação primária contribui para que as pessoas consigam ter acesso aos Direitos Humanos. “Quero continuar me desenvolvendo academicamente mesmo e também enquanto pessoa. Nos Estados Unidos, consegui fazer amigos do mundo todo, conhecer diferentes culturas, o que me tornou mais respeitoso e curioso sobre as ideias, pessoas e culturas diferentes da minha”, explica.
Após finalizar os quatro anos de formação, Silvio deseja retornar ao Brasil e trabalhar com política, voltada ao fortalecimento da educação.
Adaptação no exterior
Silvio define a adaptação à rotina nos Estados Unidos como “interessante”. Segundo ele, além da exigência acadêmica, houve a necessidade de aprender a lidar sozinho com as responsabilidades do dia a dia. “Tem todos os desafios de morar sozinho e ter de fazer tudo na casa – desde limpar o quarto a lavar as roupas, mas juntando isso à uma rotina de 10h a 12h diárias de estudo”, relata.
Outro desafio citado pelo estudante foi realizar todas as atividades em inglês. “Em especial, também foi um desafio fazer tudo 100% em inglês. Desde ler mais de 100 páginas por aula, conversar com professores e fazer apresentações em uma língua diferente”, explica.
Apesar das conquistas acadêmicas, Silvio afirma que sente falta da família e dos amigos em Itapetininga. “Mas, ao mesmo tempo, foi especial, pois consegui crescer muito enquanto pessoa, cultura e afins”, diz.
Hoje, seu grupo mais próximo de amigos é formado por estudantes de países como Portugal, Afeganistão e China.
Educação pública
Para Silvio, a educação é a base de tudo. “Sem ela, eu nem existiria”, afirma. O jovem, que estudou toda a vida em escolas públicas de Itapetininga, destaca o apoio recebido de professores ao longo da formação. “Tive professores incríveis, que me apoiaram e me deram um suporte sem igual. Eles foram especiais para mim. Infelizmente, isso não ocorre com todos os alunos”.
Segundo ele, a educação vai além do conteúdo em sala de aula e também envolve acolhimento, estrutura e valorização dos profissionais. “É necessário que a instituição seja um local seguro para as crianças, um lugar no qual elas possam sonhar”, avalia.
Na visão do estudante, um dos principais desafios da educação pública está na valorização dos profissionais e no enfrentamento de problemas estruturais. “Assim como em muitas outras cidades do Brasil, esse é um desafio gigantesco pela falta de verba, falta de profissionais, desigualdade social e sobrecarga dos professores e outros agentes escolares”, argumenta.
Silvio afirma ainda sentir saudade da cidade natal, especialmente dos amigos da Escola Estadual Adherbal de Paula Ferreira, dos professores e da família, com quem tenta manter contato diariamente. “Também sinto saudade de coisas como bolinho de frango, caldo de cana e afins. Sempre que estou falando com meus amigos da faculdade, mostro as três escolas e eles acham super bonitas, e ficam curioso com nosso currículo”, comenta.
Por fim, Silvio deseja que sua trajetória possa servir de incentivo para outros estudantes. “No fim do dia, eu sou normal. Eu também sinto medo, levo bronca da minha mãe e tenho todos os dramas de um jovem de 19 anos. Quero que eles saibam que podem sonhar e, com muito esforço, as coisas podem melhorar”.
Além de servir como incentivo, o estudante também almeja atuar na política para contribuir em melhorias sociais por meio da educação pública. “Eu vejo que o caminho é a educação e, por isso, meu interesse e vontade de trabalhar com política depois de formado. Meu sonho é que o Brasil tenha a melhor educação pública do mundo e que todos os jovens tenham as chances que tive”, finaliza.
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