O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a coluna de 2006: “No esplendor da ferrovia, as casas da Alfredo Maia”.
Alberto Isaac
A partir da Avenida Peixoto Gomide, quase em seu final, no lado direito, guiam-se as residências, intercaladas por firmas comerciais como o armazém de secos e molhados de João Augusto, o bar Operário, a ainda atual e provecta Pensão São João, o depósito de cereais de Alcindo Soares Hungria, o empório da família Portela, o armazém e açougue dos Irmãos Vieira, a loja de tecidos de Colemar Bodo, o salão de barbeiro do saudoso Chico Abreu, na dependência da Secretaria da Agricultura sob chefia de Darci Coelho — o mitológico técnico da Associação Atlética — e mais alguns que serviam aquela região, formada pelas ruas Dr. Coutinho, Cel. Joaquim Leonel, Dr. Lobato e João Adolfo. E, à esquerda, no lado oposto, erguiam-se as residências habitadas por funcionários e servidores da antiga Estrada de Ferro Sorocabana.
Estilo originária da velha Inglaterra, como as existentes ainda em Paranapiacaba, no litoral paulista, segundo o estudioso da matéria, o ex-vereador José Ribeiro, as casas confortáveis, amplas, e vistosamente ajardinadas, protegidas por grades trabalhadas em madeira ou cimento, constituíam um cenário uniforme e agradável à visão de qualquer pessoa.
Estima-se, conforme Valdemar de Oliveira, o Canarinho, sempre interessado em assuntos da “minha ferrovia”, que o início dessas obras data dos fins de 1910, sob orientação não só de engenheiros da própria Sorocabana, como a colaboração do itapetiningano Abrahão Sacco e outros especialistas do setor de construções. Na rua Alfredo Maia, cuja a denominação é uma homenagem ao engenheiro diretor da EFS da época, e que demanda ao bairro do Capão Alto e município de Tatuí, foi, igualmente, caminho de tropeiros, de grandes sitiantes e do acesso à fazenda do famoso estadista Júlio Prestes, que construiu sob os trilhos da ferrovia, na Vila Olho D’Água, um pontilhão com a finalidade de evitar constantes acidentes naquela época.
Nas belas edificações, sempre bem cuidadas e fartamente iluminadas, residiam pessoas que integravam a sociedade local, como os doutores Quintela e Carlos, os senhores Fernando Assine, Eurico Aires Martins, Alice Noronha, Graciano de Campos e outros. Como inspetores de transportes, mestres de linha, engenheiros, chefes de estação e titulares de cargos de responsabilidade. Na parte baixa, próximo à estação, localizavam-se outras construções, residência de variados funcionários e encarregados dos pátios das estações.
Casas semelhantes existiam na Vila Arlindo Luz, Praça Gaspar Ricardo e Estação Peixoto, contando, também, como as existentes em pequenas estações do trecho entre Iperó e Itararé, agora demolidas ou transformadas em criatórios de aves.
Mudanças
Após a desativação dos trens de passageiros em 1978, as casas foram, gradativamente, desocupadas, restando somente algumas habitadas por ferroviários ainda em atividade. Muitas foram vendidas aos próprios moradores, enquanto a maioria foi colocada abaixo, sendo substituídas por construções mais modernas.
Quase todas, atualmente, encontram-se descaracterizadas, sequer lembrando o que foram outrora.

















