-Itapetininga era uma das localidades mais estratégicas como rota de acesso das tropas getulistas em direção a São Paulo
Everton Dias
Desde 1997 é lei: todo dia 9 do mês de julho é feriado civil no Estado de São Paulo. O motivo? A celebração da data magna do Estado, em memória ao dia em que o povo paulista pegou em armas para lutar pelo regime democrático no País, deflagrando a Revolução Constitucionalista de 1932. Os esforços da luta armada em Itapetininga não passaram despercebidos. O município era uma das localidades mais estratégicas como rota de acesso das tropas getulistas advindas do sul do país em direção a São Paulo.
“A cidade de Itapetininga era naquela época estrategicamente importante, pois sediava, no atual prédio da regional do DER, o Quartel General do Setor Sul do Exército Revolucionário. Enquanto isso, o colégio Instituto Imaculada Conceição funcionava o Hospital Militar com o auxilio das irmãs beneditinas e enfermeiras voluntárias”, lembra o professor e pesquisador Jefferson Biajone.
O pesquisador conduz pesquisas sobre histórias de vida de veteranos da Revolução Paulista de 1924, Revolução de 1930, Revolução Constitucionalista de 1932 e sobre a participação de Itapetininga na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) por intermédio da Força Expedicionária Brasileira.
No dia 12 de Julho de 2011, Biajone fundou “Paulistas de Itapetininga! Às Armas!” primeiro núcleo da modalidade de correspondência da Sociedade dos Veteranos de 32/MMDC, sendo o seu atual presidente e pesquisador associado. Ele também é fundador do Portal dos Ex-combatentes de Itapetininga, do qual é o gestor responsável e editor de conteúdos em hipertexto.
De acordo com o professor, a revolução ocorreu entre julho e outubro de 1932 e tinha por objetivo a derrubada do governo do presidente Getúlio Vargas. Ele havia assumido o poder em 1930. Com um governo provisório, mas de amplos poderes.
Insatisfeita, a população iniciou protestos e manifestações, como a do dia 23 de maio, que terminou num conflito armado. A revolução então acabou eclodindo no dia 9 de julho, sob o comando dos generais Bertolo Klinger e Isidoro Dias.
“A frente de cada governo estadual encontrava-se um interventor nomeado por Getúlio, cuja mentalidade muitas vezes se contrapunha aos interesses do Estado que lhe era confiado. Foi precisamente o que ocorreu em São Paulo e tamanha foi a insatisfação de seus cidadãos que o estado levantou-se contra a ditadura de Vargas”, explica.
Um desses jovens foi Osvaldo Raphael Santiago, que aos 17 anos deixou Apiaí para voluntariamente se alistar nos batalhões em formações em Itapetininga. Como era menor de idade, Osvaldo não pôde seguir na linha de frente como combatente, mas o fez na condição de ajudante de almoxarifado do quartel de Itapetininga.
“O estopim da revolução foi em 23 de maio daquele ano, quando paulistanos tentaram invadir as instalações da Liga Revolucionária, organização favorável ao regime ditatorial situada nas imediações da Praça da República, na capital”, lembra.
No confronto, quatro estudantes universitários Mário Martins de Almeida, Euclides Miragala, Dráusio Marcondes de Souza e Antonio Camargo de Andrade não resistiram e faleceram. As iniciais de seus nomes, MMDC, tornaram-se o mote que impulsionou milhares de outros jovens paulistas e lutar pela derrubada de Getúlio Vargas e a promulgação de nova constituição para o Brasil.
O levante se estendeu até o dia 2 de outubro de 1932, quando os revolucionários perderam para as tropas do governo. Mais de 35 mil paulistas lutaram contra 100 mil soldados de Getúlio Vargas. Cerca de 890 pessoas morreram nos combates. Getúlio Vargas permaneceu no poder até 1945, mas já em 1934 era promulgada uma nova Constituição dando início a um processo de democratização.

















