Mesmo para quem não é aficionado por futebol, é sempre emocionante assistir um jogo entre Flamengo x Fluminense, principalmente se for decisivo para saber quem será o campeão da final do Campeonato Carioca de Futebol de 2026 e que foi transmitido na mesma data pelo Sport, canal da Rede Globo.
A começar pelas alegorias que as duas torcidas proporcionam antes das entradas dos dois times em campo. O Rio de Janeiro está muitos e muitos anos à frente de São Paulo no quesito torcedores em campo. Pode se ver que eles, os torcedores dos dois times rivais, torcem lado a lado (nota-se pelas camisas). A única restrição é em relação às torcidas organizadas, onde cada uma deve ter o seu canto no estádio.
Em São Paulo isto é inimaginável em relação aos principais times do Grupo Especial. Quando o Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo se confrontam, as restrições às torcidas já começam bem antes do jogo. Vocês já devem saber disto, mas para quem não sabe, a peleja (é assim que os comentaristas chamavam as partidas antigamente), entre os chamados grandes clubes, só podem ter torcidas únicas, mesmo que não sejam nos seus estádios. Daí não se vê a beleza das bandeiras adversárias que enfeitam o Maracanã, por exemplo. Aliás, em São Paulo (proibição do Judiciário Paulista) nem bandeiras podem entrar no estádio locais, porque a madeira ou o mastro pode ser um instrumento perigoso quando houver brigas. Aliás, tais contendas perigosas não ocorrem mais no interior dos estádios. Se houver, são marcadas bem longe dos mesmos.
Quando as câmeras televisivas começaram a mostrar o número de mulheres e crianças que frequentavam um jogo de futebol, começou a haver um declínio de tais brigas. Tudo bem que a presença da torcida única ajudou nesta questão, mas no Rio de Janeiro, com torcidas diferentes, as brigas entre torcedores nos estádios são mínimas.
Mas voltemos ao jogo Flamengo x Fluminense. Como não podia deixar de ser, foi nervoso, morno, com muitas faltas, onde um descuido qualquer poderia levar à um gol. Oitenta mil pessoas no Maracanã, onde milhares de torcedores do Flamengo compareceram apesar de ainda traumatizados pela surpreendente demissão do técnico Phillipe Luís (aquele de cabelo amarrado na nuca) depois do time ter vencido o Madureira por 8 a 0.
No final do tempo normal deu empate, e como poderia haver um só campeão, a decisão seria por pênaltis. Uma pena, pois o pênalti em geral não reflete muito o que foi o jogo. No final das penalidades, um jogador do Fluminense perdeu um chute decisivo. E o goleiro Rossi, flamenguista, já tinha defendido dois (ele é conhecido pela defesa dos chutes livres). E daí o grito de “Mengo, Mengo” foi entoado por muitas e muitas vezes pelos torcedores.
Enfim, sem desmerecer o Fluminense, foi um belo espetáculo, até eletrizante. No futebol mais popular do Brasil. Mas, no Rio de Janeiro, o Vasco da Gama ainda é o time do povão.
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