Novelas

A medida que o inverno irá se aproximar (junho), menos gente sairá de casa durante a semana, e certamente a audiência das novelas aumentarão. Fiquemos em duas atualmente: a recém-lançada “A Nobreza do Amor”, das seis e meia da tarde (segunda a sábado) pela TV Globo. Trata-se de um enredo quase real, que começa num imaginário país africano, onde o possível ministro (personagem de Lazaro Ramos) dá um golpe e as mulheres da família real precisam então (entre elas, a personagem de Duda Santos) imigrar para o Brasil, mais precisamente para uma cidadezinha no interior do Rio Grande do Norte.

O tempo é antigo e não há uma data definida, mas pelas roupas, das mulheres principalmente, dos carros (chamados “bigodes”) e pelo governo local, poderia ser a década de 1920. A estrutura organizacional da mesma confunde-se (ainda) com algumas de hoje, encontradas nos longínquos sertões do Nordeste (mas não só!). O poder nas mãos dos senhores de engenho, responsável pela maioria dos empregos dos cidadãos assalariados. Não aparece o chicote para apressar o trabalho, mas a maioria do povo ganha mal, muito mal.

O chefe de polícia é atrelado aos poderes dos chefes de produção do trabalho local. Pode se ver que a energia elétrica não chegou ainda até lá, pois o mais que se vê são luzes de velas. Deve ser uma imposição do poder local, mas a novela ainda não explicou o porquê. Na história aparecem os personagens imaginados que vivem lá (estamos falando de uma povoação não industrializada) e os autores parecem ter carregado suas habilidades autorais num personagem central: o Mirinho (vivido brilhantemente pelo ator Nicolas Prattes).

Mirinho, filho de um senhor de engenho, com toques de humanidade que sabe até condenar as estrepolias do filho, é um bom “vivante” (playboy nos dias de hoje) que vive às custas do pai, quer vender o engenho quando for proprietário para uma empresa industrial (daí talvez venha a energia elétrica) e só pensa em prejudicar as pessoas, principalmente seu rival na conquista da princesa africana exilada na cidadezinha.

A novela “Nobreza do Amor” prende bastante a atenção. A abertura da própria é notável.

O drama das nove e meia (na mesma Globo) é uma história policial que desperta muito interesse em quem a segue. Daí a boa audiência da mesma. Chega a ser pesada às vezes, violenta, mas muito bem amarrada pelo autor Aguinaldo da Silva e auxiliares. Agnaldo é um veterano de novelas, e nesta exprime bem a quase angústia dos moradores de um bairro paulistano, principalmente pela busca de um lugar na condução (geralmente ônibus) para não perder o horário do trabalho, num tom bem realista. A pressa, acorreria, a tristeza de uma maioria mal remunerada. O dia a dia sem atrativos ou esperanças. O enredo prende a atenção.

O nome é “Três Graças”. Destaque interpretativo para o ator Murilo Benício no papel do sinistro “Doutor Ferreti”, empresário que domina vários poderes do Estado, como o Judiciário, a Segurança Pública, o Político (em sua minoria, mas domina). As três estátuas (mulheres) que compõem “As três Graças” parecem ter um poder irresistível. Ou o dinheiro debaixo delas?

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