Começou na semana retrasada em São Paulo mais um daqueles shows que a Paulicéia (desvairada) durante duas semanas, por aí, sempre em um enorme parque (geralmente o Interlagos) nos finais de semana. Nós da terceira (e pior) idade, isto no sentido quase geral, ficamos estupefatos com a euforia dos jovens e mais o pessoal que já está entrando na fase adulta.
O clamor de felicidade quando o local é aberto, desde a manhã das sextas-feiras, sábados e domingos, e há uma correria para as grades que separam a plateia do palco principal. E são os jovens que já estavam na fila da exposição desde a madrugada. Sim, desde a madrugada para ouvir cantores, cantoras e conjuntos, geralmente norte-americanos (mas nem sempre), totalmente conhecidos para eles e totalmente desconhecidos para nós da pior (ou melhor) idade. Achamos até estranhos (quem assiste!) as esquisitices (para nós) que os artistas fazem no palco. Cantam e dançam da forma mais acrobática possível. Pulam de um lugar para o outro, esperneiam-se e até jogam-se nos braços do público. Muito parecido com outro show, o Rock in Rio, que acontece de dois em dois anos na chamada “Cidade Maravilhosa”.
Só que, o Rock in Rio tem um gosto de Brasil, bem mais que o Lollapalooza. No “Rock” há palcos com artistas brasileiros que também reúnem grandes plateias (embora não comparados com os shows internacionais, que nesta época são o dono do lugar).
Rock in Rio, Lollapalooza? Estranhos. Mas se voltarmos há 60, 70, 80 anos para trás, achávamos natural a expectativa da chegada do Carnaval aqui em Itapetininga, principalmente nos Clube Venâncio Ayres, Recreativo e Treze de Maio (na rua Silva Jardim, próximo ao Ginásinho). Era quase a mesma coisa que os shows de internacionais de agora. Íamos aos festejos carnavalescos nos clubes geralmente fantasiados (as moças de calças compridas já era quase uma ousadia). Depois na década de 1960, apareceram as havaianas com umbiguinho de fora. Mas quase não passava disto.
Cantávamos as músicas lançadas no ano (umas quinze, mais ou menos), geralmente marchinhas e sambas, que a Rádio Nacional do Rio de Janeiro (potente), que desde janeiro já batucava em nossos ouvidos. E dançava-se das dez horas da noite até às quatro horas da manhã do dia seguinte. Não achávamos um horror, como achamos muitos desses shows de rock.
As orquestras (da época) eram afinadíssimas e no início dos bailes, tocava-se os sucessos musicais de outros anos. Mas só para esquentar. Havia exageros alcóolicos no salão? Sim, mas quase nada de interferências desagradáveis. Drogas? Quase invisíveis (até certas décadas). Mas havia o cheiro agradável do Fança – perfume que era atirado nas costas das moças.
Para ler mais conteúdos do colunista Ivan Barsanti, clique aqui.

















