Surgiu meio que de repente no centro-oeste, sudeste e sul brasileiro. Nestas regiões pode ter causado uma estranheza, como um homem de aspecto franzino, de opulência física mediana, de rosto comum (mas que exibe bondade) com seu chapéu de sertão nordestino e com uma indumentária mais ou menos sertaneja, enfim, aparentemente um homem brasileiro bem comum. Se alguém do Sul passasse por ele, talvez nunca imaginaria que de dois anos para cá (nem mais, nem menos) se tornasse um fenômeno do público de todo o Brasil, arrastando multidões com o seu canto do Nordeste e do Brasil.
Ouvidíssimo e visto nas redes sociais, se ainda houvesse disco em CD ou vinil, seria vendidíssimo. Embora com algumas características diferentes, o cantor João Gomes lembra (e muito!) outros fenômenos nordestinos que surgiram na década de 1950 e colocou o país à dançar (e cantar) o baião (cuja a melodia é bem mais rica que o xote), e é considerado “mestre dos mestres” abrindo caminho para outros que vieram, como: Elba Ramalho, Fagner, Dominiquinho e tantos outros, além de influenciar dois da Bahia: Gilberto Gil e Caetano Veloso, colocando-se como um dos compositores brasileiros deste e outros séculos (os outros seriam Barroso com “Aquarela do Brasil”, Dorival Caymmi com “Dora”, Tom Jobim com “Garota de Ipanema” e Chico Buarque com “Quem te viu, quem te vê”; Luiz Gonzaga, entre dezenas de canções, deixou-nos “Asa Branca”, um hino do Nordeste).
Pois é… João Gomes de Petrolina, Pernambuco, chegou devagarinho (com muito esforço, diga-se) e pegou de surpresa (ou quase) a mídia do lado de cá, onde a mensagem é muito forte. Ninguém (ou quase) esperava que um cantor com sua roupa caracterizada de vaqueiro do sertão e chapéu fantasia de cangaceiro, voz mansa (mesmo quando canta), que sorri o tempo todo e desperta simpatia mesmo para quem não aprecia o xote ou o baião, conseguiria nos seus espetáculos reunir milhares de espectadores que gritam o tempo todo o seu nome.
Em uma época que predomina a música country brasileira (?) ou bandas de rock (que parecem que estão voltando), surge um inesperado cantor (e compositor!) que faz o povo brasileiro cantar junto. Desde o início do ano, João Gomes já faz cerca de 70 shows sempre consagrado. Os próprios e consagrados artistas se esforçam para terem ao seu lado o João cantando junto.
Com o seu pequeno conjunto musical, ele lança sons há muito desaparecidos do rádio, televisão, redes sociais e mesmo das apresentações ao vivo. Que dure sempre!
Bem-vindo, João Gomes!
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