Mãe solo transforma maternidade em impulso para empreender

Durante muito tempo a sociedade formou a concepção de que a mãe solo era uma mulher vulnerável.
Contudo, a sociedade evoluiu e desmistificou a ideia de fragilidade dessas mulheres. É possível identificar que as mães solos (muitas vezes por opção) possuem uma força imbatível. Em meio ao sofrimento, elas encontram na maternidade um motivo para ressignificar sua existência.

Para Renata Sena, 28, mãe da Amber (5 anos) e do Koda (10 meses), a maternidade transformou cada célula de seu corpo. Após o nascimento de Amber, ela se deparou com o fim do relacionamento amoroso e viveu o luto da família idealizada. Com Koda, a vida trouxe outra experiência: atravessar tudo sozinha: “Nos primeiros anos eu tentei ser a mãe perfeita. Queria fazer tudo certo, suprir tudo, compensar tudo. Até entender que maternidade não é sobre perfeição, é sobre presença. É sobre errar, pedir desculpa. Aprender junto. Abracei críticas demais. Me cobrei muito. Tem dias que me sinto pesada, mas tento me lembrar: estou fazendo o melhor que posso dentro da realidade que vivo”, disse ela quando questionada sobre seus sentimentos.

A entrevistada relatou que escolheu não olhar para o julgamento da sociedade acerca da mulher que fica. O seu foco é para dentro da casa. Hoje se considera forte, apesar de confessar que não gosta de ouvir isso como um elogio. A sua força veio da necessidade. Com esse pensamento Renata canalizou sua energia e criatividade. Durante a gravidez da pequena Amber fez um enxoval diferente e minimalista. Sempre gostou de moda e concluiu até um curso técnico de vestuário. Quando a separação aconteceu, algo que estava no coração virou necessidade. A loja Amber Baby cresceu e ganhou uma unidade física.

Diante da gestação do Koda, a mamãe precisou fechar a loja física e adaptar o atendimento com hora marcada. Então nasceu a “Alma festiva – um espaço de locação de brinquedos infantis para festas”: “Meus filhos são meu gás. Nenhuma ideia surgiu do nada. Já existia uma semente. Entretanto, quando você tem filhos, você para de esperar o momento perfeito. Você simplesmente faz acontecer”.

Sobre empreendedorismo e maternidade, ela conta que rotina com bebê não existe. É sempre uma roleta de prioridades: “Uso agenda para compromissos da Alma Festiva nos finais de semana. A Amber Baby acontece durante a semana, na modalidade online e com atendimentos agendados. Nos dias que me sinto sobrecarregada, eu treino. Cuidar do meu corpo é essencial, inclusive por uma condição de saúde que hoje está em remissão. Eu preciso estar bem. Aprendi a me permitir dormir. Na primeira maternidade eu virei noites trabalhando. Hoje, quando eles dormem, eu vou me deitar também. Eu sei que não estou 100% em tudo. E tudo bem. É fase. E vai passar”.

Não há dúvida de que ser mãe muda a vida de toda mulher e, enfrentar os dilemas da maternidade solo intensifica ainda mais os sentimentos de culpa e necessidade em “fazer dar certo”.
Enquanto o coração tenta reagir o cérebro intensifica a produção de ideias necessárias para fazer tudo rodar ao mesmo tempo.

Há uma vontade inabalável de não ser mais coadjuvante da própria história. Esse gás não é isento de medo, mas faz desperta o protagonismo. No caso de Renata, se empenhar nas empresas Amber Baby e Alma Festiva foi a prova de que a maternidade solo também é um terreno fértil. Ela entendeu que o controle estava exclusivamente em suas mãos e que jamais estaria sozinha.

Logo, é preciso lembrar que ser mãe é um presente e cuidar sozinha de seus filhos não significa fragilidade. A maternidade solo não significa compensar a ausência de um parceiro sendo “perfeita” em tudo. O importante é estar presente e retirar toda culpa que um dia a sociedade ousou colocar nas suas costas.

É como bem reforça a empresária: “Seus filhos precisam de uma mãe feliz, mesmo que ainda esteja em processo. Mesmo que ainda esteja reconstruindo. Às vezes é melhor solo do que guardar um sentimento pesado, triste e vazio. E você não é fraca por estar cansada. Você é mãe. E isso já é gigante”.

Para ler mais conteúdos da colunista Mayara Nanini, clique aqui.

Últimas Colunas

John Locke, o filósofo

John Locke, o filósofo

No meu curso de Filosofia, sempre coloquei entre aspas certos pensamentos dos filósofos. Estudando a filosofia de John Locke, que...

Novelas

Novelas

A medida que o inverno irá se aproximar (junho), menos gente sairá de casa durante a semana, e certamente a...

A Páscoa e os reformados

A Páscoa e os reformados

Na Páscoa, os reformados recordam a ressurreição de Jesus Cristo. Depois da crucificação que se deu na sexta feira, Jesus...

O coração humano

O coração humano

Na escola, estudando o sistema circulatório, o professor dizia que o coração é um músculo que bombeia o sangue para...

Lollapalooza

Lollapalooza

Começou na semana retrasada em São Paulo mais um daqueles shows que a Paulicéia (desvairada) durante duas semanas, por aí,...

Posso dirigir sem camisa?

Posso dirigir sem camisa?

Não há nenhum impedimento legal para dirigir veículo automotor sem camisa/camiseta, desde que o condutor esteja fazendo uso do cinto...

O corpo Humano

O corpo Humano

O corpo humano é maravilhoso! É constituído de cabeça, tronco e membros. Os ossos encaixam-se de modo estupendo e fenomenal....

Em busca da estatueta

Em busca da estatueta

Desta vez não deu. O filme brasileiro (e pernambucano) “O agente secreto” é um filme excelente, mas um tanto difícil...

Assine o Jornal e tenha acesso ilimitado

a todo conteúdo e edições do jornal mais querido de Itapetininga

Clube Correio

Bem vindo de volta!

Faça login na sua conta abaixo


Criar nova conta!

Preencha os formulários abaixo para se cadastrar

Redefinir senha

Por favor, digite seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.