Um cantinho, um violão

Na tarde fria deste último domingo, três, o melhor era ficar em casa (principalmente para aqueles que tem pavor de friagem). O negócio era ligar a televisão (ou mexer no computador) e escolher um programa do agrado. Não é fácil, pois domingo, principalmente, é dia daqueles programas insossos, onde quem frequenta é pago para aplaudir quem se apresenta, com raras exceções.

De repente, mais que de repente, o canal Bis deixou um pouco de lado as Shakiras e outros cantores pulantes, rocks, reggaes, funks, sertanejos “country” (não a música tradicional) e apresentou (infelizmente por apenas meia-hora) um belo espetáculo musical com o casal Francis Hime, cantor e compositor, e Olivia Hime, de belíssima voz. Não havia cantinho, nem violão, como diz o título, mas sim um amplo jardim de céu aberto e um piano de cauda, tudo sob à vista do morro do Corcovado com o Cristo Redentor em cima.

O casal Francis e Olivia, às vezes em dueto, às vezes solo, interpretaram canções da época da bossa-nova (iniciada em 1958), quando este país brasileiro parecia que ia tomar jeito. Época do governo presidencial de Juscelino Kubistchek, que prometeu um país que cresceria 50 nos em 5 (duração de seu governo). E o otimismo de JK refletiu em vários setores desta nação, como: a construção do primeiro carro nacional em São Bernardo do Campo em São Paulo, a seleção brasileira vencendo pela primeira vez a Copa do Mundo (1958), o surgimento do Cinema Novo (uma nova forma de fazer o cinema brasileiro), Maria Ester Bueno vencendo o torneio de tênis em Wimbledon, Inglaterra, e um novo movimento musical brasileiro (com características nacionais), a bossa-nova, uma criação dos compositores Tom Jobim e o poeta (e compositor) Vinícius de Moraes. Seu canto foi eternizado na voz do baiano João Gilberto.

O ritmo novo tinha algo de jazz sem perder o movimento do samba e samba-canção. Surgiu na zona sul carioca, mais precisamente nas áreas de Ipanema e Leblon, e no início causou um estranhamento no meio musical brasileiro, mas mesmo assim, muito tocada nas rádios e com boa vendagem de discos. E com o tempo, este tipo de canção nacional espalhou-se pelo mundo, modificando até alguns tipos de jazz nos Estados Unidos. Frank Sinatra, o cantor norte-americano considerado o mais popular do mundo, gravou um long-play, um disco no qual cabiam seis músicas no lado A e outras seis no lado B, somente com canções de Tom Jobim. Na bossa-nova as letras se entrelaçavam com as melodias, ocasionando um som suave e diferente (mas com características brasileiras).

Foi considerada uma música de elite, sim foi. Mas depois tornou-se popular e muitas delas penetraram nos ouvidos da população brasileira em todas as suas camadas sociais. Exemplo: “Garota de Ipanema”, que estatísticas mostram ser uma das mais ouvidas no mundo ocidental.

Hoje, o próprio samba (que é a marca da canção brasileira) está renegado pela maioria, embora as rodas de samba se movimentem para ativá-lo. E, em relação a bossa-nova, ela é imbatível nas questões de amor e dor. Escutem!

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