Mãe e amor são palavras da mesma classe gramatical. Só que a primeira é um substantivo concreto e amor, abstrato. Se a origem para o gramático é diferente, para o teólogo é a mesma. Mãe é fruto do amor divino para quem vivia só e precisava de uma companheira para lhe dar a sucessão infinita do amor.
Moisés, o cronista da criação, afirma que o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão e enquanto ele sonhava, tomou uma de suas costelas e formou a mulher. Sem formão, mas com a sua própria mão, esculpiu a mulher, arredondando o corpo, estreitando aqui, ajustando ali. Como molde usou a romã partida, o fio da escarlata e as gêmeas das gazelas, quando se apascentam entre os lírios. (Cant.4;1 a5)
Depois de orná-la, dando-lhe a doçura do mel nos lábios, o aroma dos unguentos e de toda sorte de especiarias, trouxe-a para o guapo rapaz que saíra de suas mãos, no último dia da criação. Vendo-a, Adão não se conteve e, numa declaração de amor, disse: “ Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi formada”. (Gen. 2: 23) Era imaculada, formosa, aprazível e amor em delícias. Tornou-se mãe e recebeu o nome de Eva por ser a mãe de todos os viventes. (Gen.3:20 e Cant.7;6)
Mãe é amor e amor é mãe. A essência é a mesma. Não se pode abstrair o amor do substantivo concreto, que é mãe. É possível inverter as letras do vocábulo mãe e misturá-las no cadinho e surgirá o subjuntivo “ame” para mãe e o imperativo “ame” para o filho. O til, que no substantivo mãe aparece, é um resquício do coração de Jesus. Ela ama pelo desejo de amar e ele por obrigação para quem lhe deu a vida. Que eu ame sempre é o desejo sincero daquela que foi criada para amar e se sujeitar ao amor. “Ame” é o imperativo do quinto mandamento da Lei do Senhor. (Êxodo 20:12)
Se no mandamento aparecem as palavras pai e mãe é porque os nomes, no cadinho divino, se fundiram. Separá-las é injusto, portanto, louvado seja Deus que criou o pai e do pai fez a mãe e de ambos os filhos, frutos do amor celestial e terreno.
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