São Paulo possui muitas atrações culturais, principalmente nos finais de semana para quem gosta de manifestações culturais, especialmente para todos os gostos. É só escolher. E aí que está a dificuldade. A pessoa que vem do interior, por exemplo, já deve saber o que vai assistir ou participar. Das centenas de exemplos (para todos os bolsos, inclusive) dependendo do desejo de cada um.
Por exemplo: está em cartaz (e parece que vai até 15 de março) a peça musical “Ópera do Malandro” no Teatro Renault (ex-Paramount) na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411, bairro da Bela Vista, São Paulo. Esta peça, toda vez que é encenada sempre faz sucesso e já foi filmada na década de 1980 pelo cineasta Rui Guerra, com Edson Celulari, Elba Ramalho e Claudia Ohana como protagonistas. Agora nesta temporada quem encabeça o elenco é o ator global José Loretto, interpretando o papel de Max, o principal personagem.
O enredo passa-se na zona portuária do Rio de Janeiro em 1942, quando a Grande Guerra Mundial (Alemanha, Itália e Japão contra todos, com a vitória dos Aliados em 1945). O personagem Max, que lutou pelo Brasil, volta para o país e instala-se na região dos portos cariocas, convivendo com contrabandistas, prostitutas, travestis, assassinos, ladrões, enfim, gente marginalizada pela sociedade. Mas, Max torna-se o “herói” deles.
Além do texto, o que encanta na apresentação são as danças e as canções que Chico Buarque fez para o musical, algumas tornando-se sucessos na mídia (televisão, rádio, discos). E a produção desta encenação colocou no espetáculo algumas canções buarquianas que se encaixavam no contexto. O elenco canta “Terezinha”, “Tango do Covil”, “Pedaços de Mim”, entre outras com uma excelente energia, tanto no bailado como na voz.
Há uma cena que podemos dizer fantástica: quando o personagem Geny (vocês devem se lembrar “Joga lama no Geny”), que o ator que faz o travesti (uma figura importante da encenação) quando termina a sua encenação é ovacionado pela plateia e pelos balcões apanhados de pessoas. Neste dia, cerca de 1.300 pessoas assistiram à dramatização. Em pé, os espectadores aplaudiram durante minutos o canto do travesti Geni. Emocionante. Afinal, é uma encenação de um texto de Francisco Buarque de Holanda. Às sextas, sábados e domingos em vários horários.
Uma outra nova atração paulistana (para quem aprecia) fica no novo Shopping Iguatemi na Avenida Faria Lima, São Paulo. Além das sempre luxuosas foi inaugurada a “Livraria Varanda”, de origem carioca, com jornais, revistas e livros (não digitais). Você compra, pega o impresso, cheira, folheia pelas páginas, vê ilustrações.
Entre as mais novas publicações, está o livro de Ruy Castro de título “Trincheira Tropical”, sempre excelente. Pesquisa (além do modo agradável de escrever) onde Ruy conta o que acontecia no Rio de Janeiro enquanto brasileiros lutavam na Segunda Guerra Mundial (década de 1940).
Ruy Castro cuida de tudo nesta época: política nacional, indústria, comércio, teatro, cinema, rádio (televisão não havia ainda), jogos (principalmente futebol), surgimentos das principais avenidas e morros. Leitura imperdível.
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