O que ficou daquele que passou

Nestes dias, folheando alguns exemplares deste nosso “Correio” publicados há uma década, deparei com algumas crônicas escritas por Helio Garcia Pinto. Geólogo e engenheiro formado pela Universidade “Patrice Lumumba”, em Moscou – Rússia. Saboreei deliciosamente a todas, com histórias fictícias e reais sobre a “Itapetininga em que nasceu”.
Passou então pela memória a trajetória de seu estimado pai, que neste mês completaria 95 anos de idade e teve presença marcante nesta terra, onde a convite de seu primo, o português Antonio Monteiro Jr., desembarcou para trabalhar em sua alfaiataria, por sinal de grande movimento.
Alfaiataria “Carioca”, inicialmente instalada na Rua Saldanha Marinho, 380, foi o começo da vida profissional de Joaquim Pinto, considerado então o “artista da tesoura.” Embora no ano de 1937, após vender o estabelecimento, por razões financeiras e retornar ao Rio de Janeiro, regressou a Itapetininga, contraindo matrimônio com Ardonia Garcia Gimenez, família que ainda conta com descendentes neste município. Retornou à alfaiataria, ramo que adotou e no qual trabalhava com “carinho e dedicação”, graças a recursos conseguidos quando residiu na ex-capital federal.
Junto com as atividades que desenvolvia, competindo no mesmo ramo com Reinaldo Ambrósio, Gabriel Zaida, Santos, Perloff, Edil Lisboa, Manolo e outras alfaiatarias, Joaquim Pinto envolveu-se na vida social da cidade, elegendo-se tesoureiro do Clube Recreativo (Operário), na administração de Eurico Ayres Martins.
Apaixonado pela música, exímio violinista e violonista, integrou o conjunto musical dirigido pelo maestro Rafael Pascoal, que se apresentava periodicamente na saudosa Difusora PRD-9. E por três anos consecutivos continuou na emissora, então com um quarteto sob sua regência.
Pessoa muito relacionada, conhecido pela profissão e atuação na emissora de rádio, era constantemente convidado para se apresentar nas Igrejas, eventos sociais, como aniversários, casamentos, bailes e inaugurações. Com excelente voz, um tanto aportuguesada, entoava canções de vários ritmos, acompanhando-se com violão ou violino. Além de participar da Orquestra Filarmônica, tendo como maestro o professor Durvalino da Costa e Silva, integrou grupos teatrais dirigidos por Ayres de Souza, Humberto Pellegrini ou Carlos Conceição e Celso Araújo, que se exibiam não só no Radio-Teatro da D-9, como nos clubes Venâncio Ayres, Recreativo ou no salão nobre da “Peixoto Gomide”.
Com o pseudônimo de “Mão de Ferro” colaborou, durante anos, nos jornais da cidade “Aparecida do Sul” e “Tribuna Popular”, com artigos críticos, mas construtivos, sobre assuntos exclusivamente da nossa aldeia. Um livro de sua autoria com 21 sonetos foi publicado, com muita repercussão na época.
Na década de 1950 fundou a Casa Pinto- Alfaiataria e Camisaria, e em 1962 ampliou o estabelecimento introduzindo o comércio de calçados finos. Joaquim Pinto, em 1992, já aposentado transferiu sua residência para São Vicente, mas sua passagem por Itapetininga “foi fantástica”, ficando assinalada pela intensa atividade desenvolvida- comercial, social, artística e decência inquestionável.

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