Cerca de 40% dos apostadores de bets do Estado de São Paulo afirmam estar endividados, segundo levantamento do Procon-SP, de 2026. O estudo aponta ainda que a maioria dos jogadores acumula mais perdas do que ganhos e compromete parte da renda para continuar apostando. Paralelamente, o número de reclamações contra empresas do setor mais que triplicou em um ano no estado.
Dados do Procon-SP mostram que, entre 2.724 consumidores entrevistados em 2026, 13,03% afirmaram apostar online. Entre esse grupo, 39,72% disseram estar endividados em razão das apostas online. Além disso, 68,73% relataram ter acumulado mais perdas do que ganhos e 52,39% afirmaram ter comprometido parte da renda ou recorrido a empréstimos para continuar apostando.
Em âmbito nacional, uma pesquisa do Serasa realizada em 2025 mostra que 46% dos consumidores inadimplentes já fizeram apostas ao menos uma vez e que 16% continuam apostando mesmo estando endividados. O levantamento aponta ainda que 52% afirmam ter perdido mais dinheiro do que ganharam, enquanto 69% utilizam o próprio salário para apostar. Outro dado revela que 44% dos entrevistados já recorreram às apostas na tentativa de quitar dívidas.
As apostas esportivas foram regulamentadas no Brasil em dezembro de 2023, com as regras efetivamente entrando em vigor em 1º de janeiro de 2025. Embora legalizadas desde 2018, as plataformas operaram por anos sem normas específicas até a regulamentação definitiva.
Ainda de acordo com o Procon-SP, não é possível fazer um recorte específico por município, como Itapetininga. Mas que, meesmo assim, os efeitos do crescimento das apostas online são observados em todo o estado.
Além do impacto financeiro, os problemas enfrentados pelos consumidores também se refletem no aumento das reclamações registradas pelo órgão. O número de queixas relacionadas às apostas online em São Paulo saltou de 315 registros em 2024 para 1.127 em 2025. Em 2026, até o momento, já foram contabilizadas 244 reclamações.
Entre os principais problemas relatados pelos apostadores estão a recusa no pagamento de prêmios (42,99%), o envio constante de mensagens incentivando novas apostas (23,53%) e regras pouco claras (15,84%). Ao todo, 62,25% dos consumidores afirmaram já ter enfrentado algum tipo de problema com empresas do setor.
O Jornal Correio também entrou em contato com o Ministério da Fazenda, responsável pelas áreas de apostas de quota fixa, promoções comerciais, sorteios filantrópicos, loterias e captação antecipada de poupança popular, para obter informações detalhadas sobre o impacto das apostas na região de Itapetininga. No entanto, até a última atualização desta reportagem, não houve retorno.
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