Quase 9 mil pacientes aguardam consultas de retorno, exames e procedimentos cirúrgicos no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Itapetininga. Segundo dados da unidade, são 8.931 pacientes nas filas de atendimento, sendo 2.866 aguardando retornos programados, 4.765 na fila para exames e outros 1.300 esperando procedimentos cirúrgicos.
O número, no entanto, não inclui pacientes que aguardam a primeira consulta, já que o próprio AME informou não ter acesso à fila externa de novos agendamentos, gerenciada pelo sistema estadual de regulação. Assim, a demanda total por atendimentos especializados na região pode ser ainda maior.
As informações foram encaminhadas pela diretoria técnica do AME à Câmara Municipal em resposta ao um requerimento solicitado pela vereadora Júlia Nunes (PSD). O documento solicita esclarecimentos sobre filas de espera no ambulatório, além dos atendimentos para neuropediatria e atendimentos relacionados ao diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Na área de neuropediatria, o AME informou que há 60 crianças e adolescentes aguardando retorno e outros dois pacientes aguardando avaliação ou conclusão diagnóstica para TEA. Conforme o documento, o tempo médio de espera é de aproximadamente três meses e a unidade conta atualmente com apenas um neuropediatra, responsável por cerca de 100 atendimentos mensais.
O documento também aponta que o tempo médio de espera para procedimentos varia conforme a especialidade, mas gira em torno de três meses. Segundo o AME, as filas seguem critérios cronológicos aliados à priorização clínica definida em avaliação médica.
Além dos pacientes da fila interna do AME, o ofício encaminhado ao Legislativo também menciona que, conforme dados do Cadastro de Demanda por Recurso (CDR), há 10.738 pacientes aguardando cirurgias eletivas externas
Questionada pelo Jornal Correio sobre esse número, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que se tratam de pacientes já atendidos na unidade que aguardam vagas em serviços de referência para consultas, exames e procedimentos cirúrgicos. A pasta disse que os encaminhamentos para outras unidades da rede ocorrem conforme a disponibilidade de vagas e os critérios da regulação estadual.
A SES, no entanto, não informou quantos desses pacientes são moradores de Itapetininga, quais especialidades concentram a demanda, nem o tempo médio de espera. A pasta também não detalhou se o número de 10.738 corresponde à atual área de referência do AME, correspondente a 13 municípios.
A pasta também não detalhou como funciona a integração entre a fila interna do AME, o Cadastro de Demanda por Recurso (CDR) e o sistema estadual de regulação CROSS, responsáveis pelo encaminhamento dos pacientes para consultas, exames e procedimentos especializados. A SES apenas informou que acompanha “continuamente o cenário assistencial da região” e trabalha para fortalecer a capacidade de atendimento da rede estadual.
Atendimentos
Segundo a SES, o AME de Itapetininga oferece atendimento em 25 especialidades médicas e é referência para uma população estimada de 503 mil habitantes de 13 municípios da região, sendo eles: Itapetininga, Sarapuí, Guareí, Capão Bonito, Alambari, Campina do Monte Alegre, Angatuba, Tatuí, Cesário Lange, Cerquilho, Ribeirão Grande, Quadra e São Miguel Arcanjo.
Entre janeiro e maio deste ano, a unidade realizou 23.449 consultas médicas, 2.377 cirurgias e procedimentos e 40.966 exames. Em todo o ano de 2025, foram registrados 56.118 consultas, 5.710 cirurgias e procedimentos e 115.231 exames, de acordo com a pasta.
A Secretaria informou ainda que as especialidades com maior demanda atualmente são dermatologia, ortopedia e reumatologia. Já os exames mais realizados na unidade são colonoscopia, endoscopia e eletroneuromiografia.
Ainda de acordo com o governo estadual, o AME conta atualmente com 158 profissionais, incluindo 64 médicos e 40 profissionais de enfermagem. A SES afirma também que está em andamento a aquisição de novos equipamentos, como tomógrafo e aparelho de ressonância magnética, para ampliar a oferta de exames na unidade.
Para ler mais notícias como essa, acesse a área de Saúde.


















