A curta, porém intensa, vida de Almir Ribeiro

A notícia caiu como “uma bomba” naquele final de tarde aqui em Itapetininga, em plena “terça-feira gorda” de carnaval, em 18 de fevereiro de 1958: o cantor itapetiningano Almir Ribeiro tinha falecido, pela manhã, numa praia (denominada de “Praia Brava”) de Punta del Este, o famoso local turístico do Uruguai, por afogamento. Almir estrelava ao lado da cantora Marisa “Gata Mansa” (que estava com o itapetiningano na praia) e grande elenco brasileiro, um musical produzido por Carlos Machado “o rei da noite carioca” num cassino daquele “chic” balneário. O locutor Rui de Moura, da PRD-9, Rádio Difusora daqui, leu a notícia com a voz embargada, quase não acreditando nela.

Naquela noite, o baile carnavalesco do Clube Venâncio Ayres ficou totalmente desanimado, nem foi para frente, terminando um pouco depois da meia-noite. Com a tragédia, a maioria dos foliões ficou “sem espírito” de carnaval. A alegria tinha acabado. O jovem Almir, até quando residiu aqui (foi para São Paulo no início de 1956) era um dos mais brilhantes “pé de valsa” nos bailes do clube. Por uma incrível e infeliz coincidência a fantasia do cordão carnavalesco “Babo Grosso” naquela noite no Venâncio Ayres, planejada um mês antes pela família Ernesta (Rabelo) – Júlio Orsi, de quem Almir era amigo, era de “coveiro”.  Com a tristíssima notícia o “Babo Grosso” mal entrou no salão.

Nascido em São João da Boa Vista, interior paulista, mas criado aqui, desde  os quatro anos de idade Aldemir Torres Ribeiro, o “Didi”, estudou no “Peixoto Gomide” onde concluiu o curso Científico, no início da década de 50, formando-se também no “Ginasinho” como professor primário, chegando a lecionar na rede de ensino municipal de São Paulo, por uns tempos. Em 1956 Almir ganhou vários concursos de calouros nas rádios paulistanas com o pseudônimo de Tony Sanders (no início, ele gostava muito de cantar músicas norte-americanas, principalmente aquelas clássicas dos musicais de Hollywood, numa era “pré-rock and roll”). Mas, no final daquele ano (1956) gravou um disco (78 rotações) e tornou-se a sensação da vida noturna paulistana ao cantar de peito aberto e pés descalços no “Cave Bar” na praça Roosevelt, próximo a Igreja da Consolação, então o mais requintado da boemia da cidade de São Paulo, na época.

No início de 1957 (aliás, Almir passou o carnaval no clube Venâncio Ayres) foi contratado pela Rádio Tupi, emissora dos “Diários Associados” de Assis Chateaubriand, grava um “long-play” (hoje, cd) causou enorme sensação pelas suas interpretações agora músicas brasileiras. Ele foi um dos primeiros cantores nacionais a gravar a dupla Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim, o “Tom”. Participou do filme “Absolutamente Certo!”, direção de Anselmo Duarte onde Almir interpreta “Onde estou?” ainda em 57 ganha (merecidamente) um programa semanal na Tv Tupi de São Paulo, as segundas-feiras, à noite, sempre ao vivo onde cantava com grande orquestra (maestro Luiz Arruda Paes)  e apresentava convidados.

Se não acontecesse sua morte precoce, aos 22 anos de idade, Almir Ribeiro iria protagonizar o filme “Orfeu do Carnaval” direção de Marcel Canus, uma produção francesa (Almir seria “Orfeu”) com história passada numa favela carioca. O filme faria muito sucesso na Europa e se o itapetiningano Almir Ribeiro vivesse, quanta coisa mais teria acontecido em sua carreira artística.

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